A CRIAÇÃO DE VALOR PARA OS SÓCIOS OU ACIONISTAS – Por João Baptista Sundfeld (*)

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Muitos equívocos têm sido cometidos quando perguntamos qual o maior objetivo de uma empresa? As respostas mais comuns são: obter sempre o maior lucro; ampliar sua participação no mercado; minimizar os riscos do negócio para os sócios; ser considerada uma empresa com responsabilidade social, entre outras. Apesar de essas respostas representarem verdades, nenhuma sintetiza o que seja a criação de valor para os sócios, cujos vetores principais devem priorizar o crescimento sustentável da empresa e o retorno sobre o investimento.


O fato de uma empresa apresentar lucros significativos sobre as vendas, não nos permite afirmar que a administração agregou valor ao negócio. É necessário analisar quanto de capital foi investido para que o lucro tenha sido obtido. Assim calcularemos a rentabilidade real que permitirá verificarmos se, e quanto de valor foi adicionado para sócios ou acionistas.


Os sócios ou acionistas podem ter interesse em simular a aplicação do mesmo capital em outro negócio com igual risco potencial e escolher a aplicação com melhor retorno. Nesse artigo, trataremos de sociedades limitadas ou sociedades por ações de capital fechado, cujos administradores poderão ser os sócios, mas também profissionais contratados.


A separação entre empresas de capital fechado e aberto é necessária, para não confundirmos nossas conclusões quando a análise for feita sobre empresas de capital aberto com ações na Bolsa de Valores. Estas são assunto para Governança Corporativa.

A maior parte das organizações a que nos referimos, é representada por empresas familiares. No mundo, e também no Brasil, o percentual de empresas familiares gira em torno de 85 a 90% do total de empresas. Os administradores sócios recebem um pró-labore mensal e a distribuição de lucros e, de acordo com seu regime tributário, poderá ser mensal ou anual. Administradores profissionais recebem salários e, em certos casos, um bônus considerando o desempenho da empresa.


Em geral, o desempenho dos administradores pode ser medido por diversos fatores, sendo os mais comuns: lucros sobre vendas, rentabilidade do capital investido, aumento na participação no mercado, pesquisa e desenvolvimento e outros.


Diante de vários casos de manipulação de resultados por administradores mal intencionados, ressaltamos que bônus somente devem ser pagos quando os resultados da empresa forem consistentes no longo prazo e não apenas no curto prazo. Recomenda-se, no mínimo, três anos de bons resultados para que a decisão de pagar bônus seja aprovada.


Além dos parâmetros já citados, existem outros que merecem atenção. O Resultado Operacional antes dos custos financeiros e impostos sobre lucros (LAJI). Com a utilização do Laji evitaremos influências de juros pagos por empresas não capitalizadas, se comparadas a empresas que não requeiram empréstimos no mercado financeiro.


Nos EUA utiliza-se o EBITDA (Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization) excluindo juros, depreciações e amortizações de despesa pré-operacionais, de forma que o Lucro Operacional Líquido fique livre de outras influências. Nos últimos anos surgiram novas metodologias sendo uma delas o Valor Adicionado de Mercado (Market Value Added - MRV) que é a diferença entre o valor de mercado da empresa ou quanto o mercado estaria disposto a pagar por ela e o capital investido pelos sócios ou acionistas. É um método muito utilizado quando existe um projeto de fusão ou incorporação.


Outro método bem atual é o Valor Econômico Agregado ou Economic Value Added (EVA) que é mais fácil de ser compreendido, mesmo por pessoas que não dominam a leitura e análise de demonstrações contábeis e financeiras. O cálculo é feito a partir do lucro operacional líquido (Laji), num determinado período, menos o custo total do capital investido pelos sócios. Adotando-se dois períodos comparáveis tem-se o valor agregado. Tanto o MRV como o EVA são marcas registradas pela empresa americana Stern Steward.


Ao analista cabe considerar o segmento de mercado onde a empresa atua, devendo analisar, em separado, a indústria, o comércio e os serviços. Empresas cujos investimentos têm maturação de longo prazo, em geral destroem valor para seus investidores se forem considerados apenas retornos de curto prazo. Um bom exemplo são empresas industriais que requeiram investimentos de vulto antes do início das operações e longos prazos para que os retornos sejam satisfatórios. Exemplos: Siderúrgicas, Ferrovias, Metrô entre outras.



As empresas familiares poderão utilizar as metodologias aqui expostas desde que possuam administradores profissionais. Se esses não estiverem disponíveis, poderão utilizar uma consultoria especializada em análises financeiras e estratégicas, para implantação do sistema que permita avaliar a criação de valor para os proprietários da empresa.


(*) João Baptista Sundfeld, economista, MBA em Marketing, mestre em Educação. Sócio da Sundfeld & Associados – Gestão Empresarial – www.sundfeld.com.br

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