SUCESSÃO FAMILIAR - Breve roteiro

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                                Um dos temas mais debatidos e de interesse dos empresários é a sucessão familiar. Mesmo assim, são frequentes as questões surgidas entre herdeiros, em razão de os empreendedores se omitirem, por motivos diversos, na tomada de providências prévias.

 

                                     Uns dizem se acharem na flor da idade, dispensável, portanto, planejar a sucessão; o que vale são os objetivos negociais. Outros se apegam ao seu ótimo estado de saúde, tornando impensável a transferência de poderes.

 

                                    A expressão sucessão familiar, como se vê, causa desconforto pela vinculação a maus pressentimentos, tais como morte, doença incurável ou, no mínimo, retirada de uma posição de liderança por quem se julga, ainda, jovem e vibrante em sua atividade, sem necessidade de tutor ou substituto.

 

                                    Os empresários na constituição da sociedade costumam fixar prazo indeterminado para sua vigência. Isto significa existência per secula seculorum. O que é justificável; ninguém atua com todas suas forças num empreendimento destinado a sucumbir poucos anos após.

 

                                    As providências para se chegar à perenidade da pessoa jurídica, ou seja, cuidar da sucessão de seus titulares, necessitam, todavia, ser iniciadas um dia. Mesmo porque a verificação daqueles familiares com condições pessoais para virem assumir cargos de liderança depende de longo período de análise.

                                   

                                     E dessa pesquisa devem constar as mulheres. Embora ainda seja um tabu, cabe lembrar que inúmeras delas estão se sobressaindo nas práticas comerciais, tanto em empresas da própria família, como em organizações de terceiros.

 

                                     É fundamental que o treinamento abranja as variadas atividades do negócio. Necessitam ser estimuladas a tomada de iniciativa e as resoluções de problemas. Na hipótese de erro, cuidado especial com a eventual reprimenda, substituível pela devida orientação. O fundador, certamente, se recordará daquele grande engano cometido, causador de prejuízo. Na oportunidade somente ele e o sócio padeceram. Seu sucessor tem, também, o direito de errar.

                 

                                    O subsequente estudo das técnicas aplicáveis precisa abranger aquelas utilizadas em outras organizações do país e do exterior, em razão das contínuas modificações no mercado.

                                   

                                    Um dia surgirá um herdeiro com maior espírito de liderança, demonstrando aptidão para assumir o cargo diretivo principal. No início não deverá ocorrer grande comemoração; o eleito poderá demonstrar desinteresse ou se empavonar, ou, pior, não ter obtido, ainda, o reconhecimento dos demais. Qualquer descuido prejudicará as medidas tomadas para a sucessão.

 

                                    Os membros da família, por sua vez, deverão ser preparados visando à aceitação do líder nascente. Ciumeiras ou outras dificuldades precisarão de solução, porque todos terão direito DE VOTO, OU DE VETO, ainda que no futuro.

 

                                    Outras medidas serão tomadas na hipótese de:

a) os sócios decidirem pela não admissão de membro familiar ou,

b) os herdeiros preferirem ser músicos, médicos, informáticos, deixando de ter aquela vocação de seu antecessor.

                                   

                                    Não adianta preparar um familiar que tenha barreiras irremovíveis no relacionamento com um dos sócios. Frase como esta, ou semelhante, apesar de um tanto desagradável, já foi ouvida:

                                          “meu filho é espetacular, mas o filho do meu sócio é um animal”.

Ora, sociedade nesses termos jamais terá um bom prosseguimento. E herdeiros não vocacionados devem ter outro destino mais apropriado.

 

                                    Nessas hipóteses duas alternativas se apresentam:

a) abandonar o mercado, desaparecendo da face da terra, como ocorre com grande frequência, liquidando ou transferindo a empresa a terceiros ou,

b) profissionalizar a direção.

                                   

                                     Ambas as tarefas são ingratas, mas é melhor que sejam os proprietários originais a tomar as medidas necessárias, pois conhecem a sociedade e seu mercado.

 

                                    A escolha de administrador profissional depende da análise de requisitos especiais para cada caso.  Porém, convém levar em conta que o verdadeiro executivo profissional não cogita, primordialmente, da contraprestação financeira; tal preocupação vem em quarto ou quinto plano.

 

                                    Importam a ele, isso sim, como exemplos:

 

·        ter possibilidade de intervir nos debates do grupo associativo, não como mero consultor, e sim com certo poder decisório, inclusive quanto ao destino da organização;

·        conhecer a fórmula de ascensão na organização;

·        existência de bom relacionamento entre os acionistas.           

                                   

                                    De uma forma ou outra, os empresários em fase de sucessão têm a obrigação de promover a continuidade da empresa.

 

                                    Eles precisam sair dos seus imobilismos. Afinal, o patrimônio deve ser protegido.

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Nívio Terra – Advogado e Consultor Pessoal

 

 

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