Sócio: para que serve ?

Imprimir

Nívio Terra (*)

 

Consta, para os advogados militantes, que a felicidade suprema seria a de poder exercer a profissão sem a necessidade de cliente e de juiz.

Copiando esse transcendental e, talvez, maledicente pensamento, costumo dizer que a felicidade suprema para o sócio seria a de não ter sócio.

No editorial publicado no Por Dentro nº 5 (Newsletter 1996/97) defendi a orientação de que uma parte da sociedade deve ter em seu quadro principal uma pessoa criativa e de grande força impulsiva, que adjetivei de porra louca. Já uma outra parte ¾ o vassourinha ¾, deve cuidar da organização do trabalho, dos excessos de seu companheiro de empreitada, controlando as despesas, planejando a execução dos serviços. Essa terminologia é propositadamente de impacto, sem necessidade de grandes explicações, por serem explicativas por si só.

Mas, para quem possa ter alguma dúvida, lembro que é o agrupamento de forças tão diversas que alavanca os negócios societários.

   Conceitos amplos

Já me perguntaram se se poderia aplicar ao homem de venda  ¾ ou seja, aquele que cuida da área comercial ¾  o conceito de porra louca, enquanto que o administrativo ou o financeiro seria o vassourinha.

Não são estas as distinções que utilizo; na verdade, os conceitos cabem a todos os sócios, não importando as áreas de atuação. Repito: na verdade, essas adjetivações mais se referem às atividades que devam ser produzidos no seu devido tempo.

Exemplifico: o sócio incumbido do setor de negócio, propriamente dito, precisa ser vibrante, e nos atos correspondentes ter grande força impulsiva, já que venda é pura emoção!  Mas, ao mesmo tempo, precisa ser organizador, planejador nos atos paralelos, antecedentes ou subsequentes, usando, portanto, da razão. Por outro lado, o administrativo, enquanto metodiza o  trabalho de toda a empresa, precisa estar atento à sistemática moderna de equipamentos, olhando e planejando atividades para anos à frente;  o financeiro terá de acompanhar o que de mais atual se passa em seu setor; como alavancar recursos financeiros  da forma mais econômica e útil. Assim, todos os sócios deverão ter a dupla característica, mas, é logico, sem se afastarem de seus tinos  próprios.

A administração dessa diversidade de atitudes não é fácil, já que a pessoa tem questionamentos perante seus empregados, seus fornecedores e, até mesmo, perante os clientes, sem se falar nos eventuais conflitos familiares. Daí,  muitas vezes ser mais fácil e prático  ¾  ???!!! ¾  reagir junto ao seu sócio. E, nem sempre este, talvez e também atribulado com assuntos externos da empresa, tenha saco  ( Aurélio: “enfado”, “amolação”) , quer dizer, paciência, para agüentar  o que entende serem  meras aporrinhações.

Para se evitar tais incômodos, somente boa dose de paciência e alto grau de transigência ¾ todos devem pensar que todos têm o seu dia de marcação. Seja condescendente hoje, para obter o mesmo amanhã. Verifique que, na verdade, a idiossincrasia (palavrinha esdrúxula; leia como sendo: “maneira de ver”) de seu sócio não é a mesma como a sua; naquele instante, ele está mal com o mundo, e você é a pessoa mais próxima e a mais amiga para ele. Daí o desabafo, o desaforo através de você, isto é, na pessoa que está entre ele e o mundo, aquela que nada tem a ver com a coisa, mas que paga o pato! “Eta mundo difícil sem porteira”. Logo, paciência e deixa pra lá. O resultado será apenas este: sucesso da sociedade.

-------------

(*) Nívio Terra - Advogado e especialista em Consultoria Pessoal ao Empresário.

(Publicação original em 1997) 

 

Contato

Nívio Terra - Advogado de Negócios e Consultor Pessoal
nivio@PortaldoSocioedaSociedade.com.br
nivio@terracpe.com.br

Credite a fonte

O CONTEÚDO DO PORTAL DESPERTOU INTERESSE, COPIE, MAS CREDITE A FONTE. SUA ÉTICA SERÁ O FISCAL DESTE PEDIDO.
Copyright 2011 Sócio: para que serve ? - Joomla