Mudança de interesses e a divergência entre sócios - A

Imprimir

 Como evitar atritos...

Um dos mais conhecidos preceitos da Lei da Murphy estabelece que “tudo o que pode dar errado acaba dando errado”. Ora, levando-se em conta que a “sociedade para negócio é uma comunhão de interesses visando a obtenção de lucro”, resultará que ele tem tudo para dar errado!

Quando alguém se junta a outra pessoa, a fim de constituir uma empresa, tem certa disponibilidade pessoal, oriunda de sua posição na família, no mercado, ou seja, no organismo social como um todo. É sabido, ainda, que sua inclusão na sociedade para negócios corresponderá à quebra de certa liberdade. Mesmo assim, o sócio aceita algumas restrições pessoais, visando o resultado final que é o encontro do lucro. E vê vantagens nisso.

Ocorre que, por várias razões, lícitas na maioria das vezes, qualquer pessoa pode alterar seu modo de pensar e o negócio feito anteriormente não mais lhe satisfaz.

Temos percebido que, em sociedade, tal mudança de atitude íntima raramente é exposta ou debatida, francamente, entre seus componentes. E os novos valores vão modificando o modo de agir, acarretando traumas aos parceiros.

Exemplo é melhor do que mil palavras. Para tanto, ilustramos este artigo com “cases” dos quais participamos como mediador.

Certa feita, um empresário procurou-nos salientando "não agüentar mais seu sócio. A toda hora se queixa de sua posição na sociedade. Puxa, afinal eu dei tudo a ele e agora só me enche a paciência!"

Os fatos: esse empresário teve uma idéia e a apresentou a um seu cunhado que, de pronto, achou ótimo o negócio. Como aquele empresário não tinha, no momento, apropriadas condições financeiras, ofertou ao cunhado dez por cento da empresa, tudo maravilhosamente aceito, constituindo a empresa.

Conhecendo, também, o minoritário e estando no papel de mediador, procuramos verificar se havia outra verdade. Disse-nos então: "faz mais de dez anos que essa situação na sociedade permanece inalterada, não obstante a empresa ter crescido. No começo, tudo bem, noventa por cento ou dez por cento de zero é nada. Mas, presentemente, não é justo continuar essa posição. Além disso, minha família tem razão quando me chama de "burro de carga".

Vejam bem, aqueles interesses iniciais se ajustaram a NOVAS REALIDADES.

Para encurtar; verificando que também o sócio majoritário gostaria de manter a sociedade, conseguimos obter o seguinte ajuste, adaptado à nova situação: da atividade exercida pelo sócio minoritário foi formada outra empresa, menor, com participações iguais de cinqüenta por cento. E a outra, maior, continuou da mesma forma. Mas com isso o minoritário teve algum acréscimo em suas receitas e, principalmente, sua situação perante terceiros melhorou, justificando-a numa posição societária mais confortável.

Em outra ocasião precisamos intervir numa empresa composta de vinte sócios. No início, foi ótima a decisão, já que dessa forma foi possível obter o capital necessário. Mas, após uns seis anos, a coisa complicou: havia muita gente dando opinião.

Novamente, a mudança de interesses; alguns queriam prosseguir, mas sem alocar mais capital, que era necessário, e sem perder o respectivo percentual; outros desejavam sair com haveres. Após muitos debates, foram se formando os grupos, casando-se novos interesses. Com grande esforço e, alguma renúncia, foi possível resolver a pendência com os que remanesceram, pagando estes os retirantes em condições razoáveis. Mas sempre sobrou um resquício de incômodo, para não adjetivarmos de outra forma.

Nos casos detalhados não pudemos indicar nomes a fim de comprovar sua real existência, mas buscamos no cotidiano da vida empresarial, relatada na mídia impressa, outros expressivos exemplos da variação de interesses.

Deixando de lado problemáticas questões surgidas em grandes supermercados, lembramo-nos de atritos ocorridos numa grande empreiteira de obras públicas quando um dos sócios chegou a requerer a dissolução da sociedade.

A Revista das Folhas, em reportagem, após mostrar como os sócios de prestigiosa agência de publicidade se conheceram, num ambiente de grande camaradagem e tiveram grande êxito, comentou, textualmente: "Depois de quase trinta anos juntos, muito se diz sobre eles. Inclusive que os três não se suportam mais".

Tudo isso mencionamos para deixar caracterizado que, a todo instante e em todo lugar, especialmente nas empresas, os interesses de cada sócio vão se alterando, muitas das vezes com grande profundidade, sem que isso seja percebido. E, como freqüentemente o sócio deixa de participar tais transformações ao seu associado, começam a surgir atritos, nunca dantes imaginado. Simplesmente porque os fatos empresariais passam a ser examinados sob facetas diversas.

Deixa de existir o COMPANHEIRISMO, conceituado como sendo aquela "CUMPLICIDADE ATÉ NAS INCOERÊNCIAS". Daí propormos que o empresário continue sempre como amigo do seu sócio. Até mesmo por inteligência, já que não podemos esquecer que as divergências costumam trazer sérios prejuízos para as empresas e, via de conseqüência, a seus titulares.

Em artigo publicado em jornal da cidade de São Paulo alertamos que a "concorrência está aí, atenta e pronta para avançar inexoravelmente sobre seus contendores" e, aproveitando, fizemos à época uma advertência: "o mercado é uma guerra, sócios, uni-vos".

Ora, persistindo a boa amizade no convívio societário, haverá maior possibilidade de ser alcançado algum novo ajuste, acaso ocorra ALTERAÇÃO NO INTERESSE PESSOAL DO SÓCIO, afastando-se ruinosas divergências. É o que propomos.

 ------------------------
Nívio Terra, advogado e consultor pessoal.
 
 

Contato

Nívio Terra - Advogado de Negócios e Consultor Pessoal
nivio@PortaldoSocioedaSociedade.com.br
nivio@terracpe.com.br

Credite a fonte

O CONTEÚDO DO PORTAL DESPERTOU INTERESSE, COPIE, MAS CREDITE A FONTE. SUA ÉTICA SERÁ O FISCAL DESTE PEDIDO.
Copyright 2011 Mudança de interesses e a divergência entre sócios - A - Joomla