Estágio na empresa Da família.

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 Nívio Terra(*)    
 
  “Vale a pena fazer estágio na empresa do meu pai?”.
“Convém convidar meu filho para vir estagiar na minha empresa?“

Estas são algumas das perguntas mais comuns quando recebo, no meu serviço de Consultoria Pessoal, empresários e/ou seus filhos preocupados com os seus futuros.

 

Claro que cada um desses consulentes apresenta o seu ponto de vista que é analisado, individualmente, atendendo às necessidades peculiares. Mas, de uma forma geral, no primeiro contato noto que não estão preparados para tomar uma diretriz mais eficiente e profissional. Daí apresentar-lhes certas considerações, antes de estimulá-los a um diálogo na busca de boas conclusões.


             Estas observações levam em conta que é pouco examinado o estágio praticado na empresa DA família, aqui conceituada como aquela na qual o pai, ou a mãe, é o sócio ou o dirigente principal.


              Quando a filha, ou o filho, está na fase do vestibular, a ansiedade toma conta de todos. Os pais, de um lado, torcem para seus descendentes se saírem bem nos vestibulares. Os filhos anseiam alcançar essa aspiração principal de seus estudos.


              Ultrapassado com sucesso o funil vestibulando, a alegria é geral, aumentando ainda mais quando o rebento escolhe curso ligado aos objetivos da empresa à qual estão vinculados os pais: a continuidade da organização parece assegurada.

O descendente, por sua vez, pressente o seu futuro, como dono do negócio. Passados os primeiros meses, o estudante está em delírio. Afinal, a sistemática do curso superior é bem diversa das etapas anteriores. Na faculdade, o acadêmico sente-se dono de si mesmo; os professores não o paparicam.
Isso, ao tempo que o liberta, traz anseios e responsabilidades maiores. Começa a perceber não bastar a teoria; importa obter, conjuntamente, experiência prática. Enquanto a teoria é, fundamentalmente, obtida na escola, a vivência se adquire no trabalho dentro de uma empresa. E todo estudante universitário sabe que o estágio é o serviço que presta a terceiros, visando obter aprendizado numa área específica.

A sua primeira idéia é solicitar um estágio na empresa dos pais, que costumam apoiar a iniciativa.
Trabalhar num local desse feitio parece ser fácil. Mas, sempre o mas, pois a decisão é, usualmente, tomada por emoção, e não com a devida racionalidade.

Cada lado vê o estágio de uma forma diferente. No começo, tudo bem; o pai fica satisfeito ao ver o seu menino, ou menina, iniciar-se na vida do negócio. E a (o) filha (o) começa a se entusiasmar com a sua presença no trabalho.

O passar do tempo demonstra, todavia, que o convívio não é fácil. O contrato de trabalho não teve suas cláusulas bem discutidas. Tudo começou como se fora uma extensão das relações afetivas. Muito raramente os pais se preparam para um prévio debate com seus filhos, explicando-lhes a organização da companhia. Sequer se lembram de mandá-los se acertar com o departamento pessoal ou de Recursos Humanos, não importa qual o seu porte.

Aí, a coisa começa a pegar.

Para os pais, os filhos ainda são simplesmente considerados como tais, embora estes desejem algo mais.

A remuneração no estágio nem sempre é atraente. Os estagiários cogitam que sua dedicação à empresa, da qual um dia serão os donos, merece melhor recompensa. Não se trata de receber, simplesmente, uma mesada melhorada. A liberalização da remuneração, sem o devido desenvolvimento no trabalho, não é aconselhável.

Os pais julgam não poderem, nessa primeira oportunidade, passar por cima de empregados mais antigos e experientes e esperam ver os seus filhos batalharem no serviço, aguardando uma ocasião mais oportuna para crescimento.

As novidades trazidas por quem está nessa fase inicial nem sempre são aceitas, ou sequer avaliadas, pois o lado conservador costuma prevalecer. Isso pode trazer o desânimo, se não houver explicação correta.

Em outras oportunidades, os erros dos jovens são contados milimetricamente, porque o pai compara o seu conhecimento atual com o do seu filho, ainda sem experiência. Nem sempre se recorda dos erros cometidos no passado; apenas não havia um superior a criticá-lo.

A bem da verdade, o pai faz isso com as melhores das intenções, embora deva entender que uma crítica pública ou mais veemente pode até ofender. O filho precisa vencer barreiras para atingir um preparo eficiente.

O relacionamento com os demais empregados é de suma importância, para não ser apelidado de protegido. Se pretender equiparar-se ao pai no manejo da autoridade, sofrerá enormes resistências.

Vencer essa guerrilha significará o jovem agir com humildade, recordando que o estágio é momento de aprendizado. Atitude nesse sentido não é humilhante; afinal, é normal não se saber onde ficam os papéis, lápis, etc., nem como se maneja uma determinada ferramenta ou máquina.

Também não deverá ser um bajulador, comportando-se, isto sim, como um estagiário inteligente, à procura do "porquê" das coisas.

Aquele diálogo que os jovens acham não obter com os mais velhos precisará ser estimulado, mas por ambas as partes. Não dá para aceitar respostas de “agora não ter tempo” ou de “esse cara tá ultrapassado”.

O estágio na empresa DA família é uma arte que precisará ser encenada por todos e uma ciência sujeita ao laboratório e experiência da vida empresarial.

Somente mais adiante poderão ser indicados os caminhos a serem seguidos.

O CONVÍVIO APROPRIADO SERÁ A BASE DO SUCESSO NO FUTURO!

(*) Nívio Terra é Advogado e Consultor Pessoal, autor do livro
Meu Sócio, Meu Amigo. Como Evitar Atritos Societários.

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