Empreendedor: pesquise para descobrir o negócio ideal.

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 Nívio Terra (*)

A indagação mais frequente que tenho recebido de pretendentes a uma atividade comercial

própria, é a do que fazer, que tipo de empresa abrir.


Ao iniciar estes comentários, partirei do pressuposto que o candidato a empreendedor – que conceituo como sendo aquele empresário que dá início ao negócio – tenha todas as qualificações para agir como tal, seja individualmente ou em sociedade com outras pessoas.

Considerarei, portanto, como empreendedor apto, aquele indivíduo que tenha consciência da atitude que irá tomar, tenha condições de liderança, ainda que apenas em área técnica, seja ousado, persistente, sem receios de desafios, embora, quase sempre, não possua recursos financeiros à altura de sua intenção.

 

Sigo então para a análise da questão inicialmente levantada, que pode parecer à primeira visão, de resposta um tanto difícil. Mas, não é o que me ocorre.

De pronto, costumo fazer a seguinte afirmativa: “olhe ao seu redor”. Frequentemente vejo no semblante do interessado um espanto, um misto de incompreensão e desânimo. É normal, eis que a frase em si, sem reflexão adequada, pouco se explica.

E para começar, recordo-me de um colega no início do curso científico (e é bom fixar a época, 1950), ainda bem jovem, mas com espírito de negociante e não muito inspirado ao estudo curricular. Ele passou a mimeografar textos indicados pelos professores, vendendo-os aos demais alunos. Mais adiante, alugou sua primeira máquina copiadora. Depois contratou um colega para fazer resumos aplicativos, com os quais os compradores estudavam com menor esforço. Daí deslanchou para livraria, gráfica, etc.

Esse deve ser o seu olhar a sua volta. Sentir o que se passa com os fatos que o acompanham, aplicando sua sensibilidade de empreendedor e dar o passo à frente (dos outros!).

Estarei sonhando? Não creio e a história está ai para comprovar. Quem se interessar no aprofundamento da tese, examine a origem do McDonald’s e seu progresso.
Aproveitando a referência a essa organização e embora não pretenda arrumar um concorrente para ela, por que não iniciar um negócio semelhante, mas com o sistema de hambúrguer por quilo? Vá a uma loja e verifique o que alguns consumidores fazem com o pedido: retiram algum ingrediente, mudando, assim, o conjunto inicial. Não seria, talvez, uma boa idéia deixar o consumidor montar seu lanche?

Poderá ocorrer, também, a análise do serviço fornecido por essa ou outras redes de fast food, a escolha de determinado serviço ou fornecimento de algum tipo de insumo, por meio da terceirização. E se for de qualidade e mais econômico (não digo mais barato, porque é outra coisa), o empreendedor terá sucesso. Valerá a ousadia acompanhada de bom senso.

Quando o pretendente ao negócio próprio tiver uma habilidade própria, poderá procurar levá-la ao público em geral. No segmento de artesanato várias empresas prosperaram, seja na área alimentícia, seja em forma de arte, propriamente dita. Não quero nomear alguma atividade especial, mas as revistas do ramo, jornais em seus cadernos específicos e as lojas de shoppings centers apresentam modelos bem expressivos.

Em certa ocasião, o Estadão estampou a notícia do crescimento das vendas de antenas parabólicas em região que seria de pouco potencial para esse tipo de mercadoria. E isso foi estimulado pela verificação feita por um motorista, morador local, junto a seus vizinhos, frente ao sucesso que fazia o aparelho de TV de sua casa ao qual havia acoplado esse acessório.

Pesquisas mostram que os homens querem ficar com os filhos depois do divórcio. Ora, empresário iniciante, perceba o número de serviços que esse grupo de pessoas necessitará. Basta olhar e criar um atendimento prático e eficiente, o que não será difícil se for conduzido por um efetivo empreendedor.
Suponho agora que o candidato seja um fervoroso administrador de números, aprecie cálculos, computador, etc. Verifique na relação de amigos e conhecidos quantos executivos e profissionais liberais gostariam que suas contas bancárias fossem conferidas, suas despesas pagas sem multas por atraso, com recebimento de um resumo no final do mês (balancete), tudo já meio preparado para a fatídica e abominável declaração anual do Imposto de Renda.

Tenho arquivado estudo relatando que, até mesmo eficientes executivos financeiros de empresas de porte relaxam em suas contas particulares. Algumas vezes sob o escrúpulo de não desejarem obter vantagens pessoais decorrentes de sua profissão.

Vejam bem, não estou fazendo apologia de uma profissão ligada ao mercado de capitais, já que isso depende de regras próprias; o que pode ser feito é o acompanhamento das aplicações que o cliente faz no seu banco preferido. O serviço será o de coletador dos papéis e demais informativos para ser tudo agrupado numa demonstração mensal, simplória, sabendo o cliente, então, a quantas anda.

Em se tratando de um engenheiro, visite várias obras, pesquise as dificuldades que as construtoras encontram em levar avante os prédios; converse com o mestre-de-obras e operários; estude as normas e técnicas direcionadas à construção civil, o que poderia ser obtido com resíduos, como evitar desperdícios. Feito isso, prepare o projeto de fornecimento de algum insumo, serviço, etc.

 

Demonstre àquelas mesmas empresas onde foram localizadas as anomalias. Ofereça um trabalho correto e leal (não digo honesto, já que isto é inerente a qualquer pessoa). Não transfira informações de uma empresa à outra, sem a devida permissão. Duvido que um empreendedor com tal iniciativa não tenha sucesso. Lógico que deverá ter persistência, tenacidade.

 

                               Sem estes requisitos mínimos, continue como empregado.

A relação de atividades poderia resultar na extensão um livro e não de simples artigo. Deixei, todavia, para o final um exemplo mais significativo. O feitio poderá ser adaptado para outras oportunidades semelhantes. Tratava-se de um tipo de sucessão familiar, um tanto difícil de ser encaminhada. Como o empreendedor patriarca ainda estava à frente dos negócios, foi programado um sistema de terceirização de atividades vinculadas à feição apropriada de determinados herdeiros. Como cada qual fazia o que melhor lhe agradava, tiveram sucesso, ocorrendo o natural desenvolvimento do grupo como um todo. Assim, além do desenvolvimento pessoal de cada um dos empreendedores herdeiros, aquela sucessão considerada de penosa realização, com prejuízos e desgostos à vista, foi um sucesso.

Daí minha última orientação: “olhe ao seu redor e utilize a imaginação”.

(*) Nívio Terra – Advogado e Consultor pessoal.
(Este Artigo foi publicado, pela primeira vez, no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 23/março/1996)

 

 

 

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