A Lei dos 4 Emes - Para um bom Planejamento - Sequência 1 - Maturação

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Nívio Terra, Advogado e Consultor Pessoal


Empreendimentos supostamente bem elaborados e com ótimas previsões muitas vezes fracassam. No conceito público não houve planejamento. Seus idealizadores não concordam com essa conclusão e tentam demonstrar que a planificação teria sido correta; alegam, isto sim, a ausência do elemento sorte.
(Texto por Nívio Terra, Advogado e Consultor Pessoal)

Earl Wilson, jornalista norte-americano lembrado por Joelmir Beting, explicou que "sucesso nos negócios é apenas uma questão de sorte. Pergunte a qualquer fracassado".

Deixo, também, de lado esse falso desígnio da natureza. Preferível verificar a causa do insucesso.
Toda atividade humana necessita de certa sistematização, desde o nascimento da idéia até ser efetivamente concretizada. E quando falo em atividade humana, refiro-me a qualquer tipo de ato ou providência. Pode ser a constituição de uma empresa ou a criação de um empreendimento; tudo, enfim, que dependa da intenção do ser humano. Pode-se dar o nome de organização ou de planejamento, tanto faz. Importante considerar que o planejamento é o somatório de várias etapas a serem realizadas, sequencialmente, para se chegar ao resultado pretendido.
O planejamento é uma atividade sistêmica.
A causa do insucesso é a falta de atenção ou transposição errônea de alguma das diferentes fases incluídas no esquema de desenvolvimento da idéia. Comprovado que o cumprimento de certas regras facilita o trabalho do empreendedor, tenho aplicado um método prático e sistêmico, ao qual dei o nome de
Lei dos 4 emes - Para um bom Planejamento.
Dias atrás, o estudo inicial do CCE - Centro de Cultura Empresarial se constituiu no texto do lançamento ao público da "Lei dos 4 Emes - Para um bom Planejamento" - Conceitos iniciais, muito embora no meu livro, Meu Sócio, Meu Amigo - Como Evitar Atritos Societários, tenha mostrado a aplicabilidade do conceito. Agora, volto ao assunto, como prometido, lembrando que o processo é constituído por quatro fases designadas - para facilitar a memorização - , por
Maturação, Metodização, Materialização e Melhoração,
cada qual com o seu conceito próprio. Essa sistemática é aplicada pela Consultoria Pessoal ("coaching") com empresários, quando desejam debater novas atividades ou o equacionamento de certas situações que aconselham uma visão externa.
Nesta oportunidade irei me aprofundar na análise da primeira lei, que é a da
MATURAÇÃO
O tempo da Maturação é o da concepção da idéia, da invenção. É o nascimento da intenção de algo pretendido. Nessa hora a inspiração tem seu apogeu. Mas ainda é um período de caos. As idéias vêm em borbotões, acavalam-se. O inventor trás à tona a sua criação. Está, ainda, num ciclo nebuloso, já que a invenção é algo interior, não obstante possa ter surgido de observações de seu entorno, da concorrência, por vezes com algumas aplicações diferenciadas, ou de necessidade a ser atendida. É o início do processo mental.
A pessoa, então, é movida pelo único interesse de que o planejado lhe traga vantagem ou lucro. Embora não obrigatoriamente danoso a terceiro, o ato inspirador é totalmente egoístico.
Na continuidade do mesmo estágio é que ficará demonstrada a permanência dessas intenções. Porém, para que o bom proveito final seja alcançado, o interessado precisará dosar esse nascente egoísmo, caso contrário seu plano, em algum momento, fracassará.
Dois exemplos clarificam esta ponderação.
Quando alguém pretende constituir uma sociedade para negócios procura localizar um sócio, seja para obter auxílio financeiro, seja para gerir a parte administrativa ou outra complementação. Caso deixe de lado o verdadeiro sentido de sociedade,
- "união participativa para serem atingidos os fins da empresa" -
essa associação de interesses não terá sucesso.
Já num outro tipo de projeto, qual seja o de alguém desejar criar, por exemplo, uma instituição de caridade, o fim primeiro e egoístico é o de lhe trazer conforto moral, talvez, até mesmo, em razão de algum infortúnio pelo qual tenha passado. Mas, terá de alterar essa diretriz mal formada, levando alívio, isso sim, àqueles que irá atender. Ou seja, transitando do egoísmo para o altruísmo.
É muito importante a análise e reflexão sobre essa centralização egoística, inclusive as suas vantagens, ainda que momentâneas.
A origem sobrenatural desse personalíssimo desejo pode decorrer da procedência fetal do ser humano. Por me faltar conhecimentos científicos, apenas constato, eufemisticamente, que o feto se desenvolve sugando a sua mãe, sem cogitar das possibilidades materiais da criatura que o desenvolve e protege. Apenas, egoisticamente, se alimenta. Somente
mais adiante, quando vem à luz, começa aos poucos a compreender a necessidade e até conveniência de se coordenar com os outros indivíduos.
A posição auto-centralista do projeto, na sua fase inicial de Maturação, traz determinadas vantagens que não devem ser refreadas. O ser humano precisa mostrar e demonstrar, naquele primeiro instante, as suas vontades, o seu desejo, para que não surja futuro arrependimento. Nas análises de atritos societários, quantas vezes ouvi de clientes a frase,
"...ha, por que, quando da constituição da empresa, não disse ao meu sócio o que eu queria?...". Agora, talvez seja tarde...".
Vou utilizar a manifestação de grande profundidade e ensinamento de um emérito empresário e líder, o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva:
"Sempre recebemos os candidatos a presidente, ouvíamos o que tinham a dizer, batíamos palma. Eles saíam felizes e nós frustrados porque não havíamos dito o que queríamos. Agora vamos inverter o processo: seremos pró-ativos, e não somente reativos. Vamos assumir o papel de órgão de pressão e não mais de adesão".
Mais adiante, surge a manifestação do igualitarismo:
"Pressão construtiva, propositiva".
Esta minha posição pragmática, talvez rigorosa, estimula contestação. Por exemplo, quando se referem a pessoas bondosas, criadoras de centros de convivência de idosos, de criação de locais para recuperação da saúde de jovens, ou semelhantes.
Demonstro, com o maior respeito aos fundadores, que a primitiva idéia se baseava na necessidade de atendimento de familiar ou de pessoa muito chegada.
Está aí o fundamento de que, embora, inicialmente, egocêntrica, a concepção mais adiante se estende à comunidade, num efeito benéfico e multiplicador.
Resumo as principais características da 1ª Lei, a Maturação:
- é um atributo do ser humano
- é parte de uma atividade sistêmica
- é um processo mental
- é o primeiro estágio da invenção
- é uma manifestação caótica
- é originária de uma necessidade
- é uma decorrência de pensamento egoístico
- é preciso, em algum tempo, se transformar em atitude solidária.
O certo é que uma boa Maturação da idéia nascente, formulada com ética, deverá afastar o sentimento individualista de querer ganhar sozinho.
Neste instante, paro por aqui; oportunamente, tratarei da segunda Lei dos 4 Emes: a Metodização.


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