BUZZWORDS E SUA CARREIRA – Por Victor Mirshawka Junior (*)

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Você já foi convidado a participar de reunião para conhecer um plano de time sharing, ou, em outras palavras, o melhor plano de férias que alguém poderia lhe oferecer? Tendo ou não comprado o plano, no mínimo você memorizou o significado da expressão.

0 que tem a ver isso com a sua carreira? Durante algum tempo, time sharing foi uma das principais buzzwords no mercado de turismo Buzzword é uma palavra nova, representando uma ideia ou tendência que vira moda porque causa um alarde, um buzz. Algo como um viral ou um meme, mas linguístico.

No universo de buzzwords associadas à carreira, tais como mentoring, coaching e outsourcing, time sharing tem chance de estar na base da mudan­ça do paradigma do trabalho.

O conceito de time sharing pressu­põe que você compre, em vez de férias num lugar específico e num período predeterminado, um "intervalo de tempo genérico", por exemplo, duas semanas ao ano. E você determina on­de e quando vai usufruir desse perío­do, escolhendo ampla rede de hotéis inserida no sistema, que também en­volve operadores da modalidade. En­tre os benefícios estão: melhor gestão de custos, decorrente da menor ociosi­dade na rede hoteleira, diminuição do preço para o cliente e maior flexibilidade, pelo uso do serviço sob demanda.

Uma mudança de paradigma que favo­receu o desempenho do negócio.

As relações de trabalho ainda são, na sua maioria, de um para um, ou seja, de uma empresa para um funcionário. A empresa contrata o colaborador e o re­munera pela dedicação integral. Toda­via, há muitos sinais apontando para a tendência de que, em futuro próximo, empresas poderão optar por contratar o profissional por um pacote determi­nado de horas, ou por um serviço / pro­duto / projeto específico. E este profissional pode estar em qualquer lugar do mundo. Isso não é o mesmo que out­sourcing ou terceirização, pois vai afetar diretamente a relação entre profissional e empresa, e não a relação entre uma empresa que subcontrata outra para fazer funções específicas de negó­cio, como no caso de um call center.

Entre os indícios, temos a expansão das plataformas de concorrência criati­va, como aquelas que oferecem o servi­ço de design. Se você quer comprar uma ilustração ou um layout, pode, através delas, disponibilizar sua demanda para um banco de designers am­plo e espalhado geograficamente.

Os que se interessarem pelo seu proje­to concorrem entre si, enviando suas propostas, para que você escolha a me­lhor e obviamente pague por isso. Você não precisa contratar o designer em tempo integral. Designers podem "tra­balhar" para múltiplos clientes, sem ne­cessariamente ter vínculo específico com nenhum deles. E se este raciocínio se aplica a um trabalho criativo como design, porque não deveria ser aplicado a profissionais de marketing, RH, conta­bilidade, vendas e outros, que podem vender seu conhecimento, inteligência e criatividade fracionando seu tempo?

Você consegue se imaginar "nego­ciando" seu trabalho com diversos com­pradores diferentes? Antes que possa dar pulos de alegria pelo fato de que, neste novo mundo, haverá mais autono­mia, lembre-se de que o nível de competitividade crescerá também. Você po­derá "se vender" a muitas empresas, mas elas poderão comparar seu de­sempenho com uma quantidade maior de concorrentes, inclusive dis­postos a cobrar menos. Isto pode fa­vorecer o aparecimento de um siste­ma do tipo employee sharing, onde as corporações poderão adquirir pa­cotes de competências ao invés de contratar empregados, por um pre­ço progressivamente menor.

E fato que, se o futuro do trabalho for realmente o do time sharing, ou do employee sharing, somente os melhores, mais dedicados e mais ta­lentosos sobreviverão. Mas isso sempre foi assim, com ou sem buzz­words. A moral da história continua sendo a necessidade de aliar seus so­nhos de vida a um planejamento es­tratégico de carreira, onde suas com­petências e talentos possam ser de­senvolvidos de maneira focada e seu esforço disciplinado de trabalho os torne importantes e valiosos para o mercado, mesmo que a forma de vendê-los mude. As buzzwords ser­vem de tempero a esta fórmula que dificilmente mudará.

(*) DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO DA FAAP - O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Publicado – O Estado de São Paulo – 2 |Empregos | 27 de julho de 2014

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