A ENVELHECIDA INDÚSTRIA - Por Celso Ming (*)

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Já é uma boa coisa admitir problemas, como ontem admitiu o ministro do Desenvolvimento, Mauro Borges. Mas é preciso ir além. Em primeiro lugar, é preciso ir às causas e, em seguida, apontar soluções. O ministro Borges reconheceu ontem no Encontro Nacional de Comércio Exterior, no Rio, que a indústria brasileira está envelhecida:

"O baixo estoque de capital fixo do parque fabril tem, em média, 17 anos de uso".

A título de comparação ele apontou que os países mais diretamente concorrentes do Brasil contam com indústrias de 7 a 8 anos, na média.

E, a título de referência, não é preciso puxar pelo desempenho da indústria asiática, que vende produtos de alta qualidade a uma fração do preço da indústria do Brasil, graças não só a maior eficiência do seu equipamento, mas, também, ao baixo custo da mão de obra. Borges comparou as condições de produção industrial brasileira com as dos Estados Unidos, que vêm de uma forte crise e não conseguem esconder paisagens desoladoras, como as de Detroit:

"A produtividade da indústria do Brasil é apenas 20% da produtividade da indústria dos Estados Unidos".

Quem está dizendo isso não é nenhum desses analistas profissionais do pessimismo, que disseminam o desalento no sistema produtivo nacional, de que tanto se queixa a presidente Dilma. É o ministro do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio Exterior.

Essas coisas não ficaram assim porque o empresário brasileiro desistiu do seu ferrão e do seu espírito animal. Nem apenas porque o custo Brasil é insuportável ou porque a infraestrutura é esse miserê que todos sabemos. São o resultado do descaso com que todo o setor produtivo, e não só a indústria, vem sendo tratado.

O governo Dilma, por exemplo, entendeu que bastaria turbinar o consumo popular, com a derrubada artificial dos juros e a disparada da gastança, para que o trabalhador chegasse ao paraíso e a indústria, aos tempos de pujança histórica. Mas o resultado é esse aí. A economia brasileira ficou desarrumada, a produção mergulhou, a inflação disparou e o desânimo tomou conta do sistema produtivo.

Mas é necessário ir mais fundo. O definhamento da indústria tem muito a ver, também, com a falta de coragem para formular e responder as perguntas certas. Valerá mesmo a pena produzir todas as linhas de industrializados no Brasil, desde panelas até satélites?

Bastará que uma atividade se caracterize pela manufatura para que seja automaticamente desejável? Será que é do interesse nacional seguir cortando ferro, entortando ferro e rebitando ferro, tarefas que qualquer xing-ling é capaz de executar, a custos irrelevantes, apenas para exibir depois estatísticas de produção industrial?

Ou não seria melhor replanejar a atividade industrial, ficar com o que interessa, sucatear o que não tem mais jeito e concentrar a atividade fabril em segmentos de maior agregação de valor, com maior incorporação de tecnologia, design, engenharia e software?

Tudo isso é bem mais do que tentar salvar a indústria brasileira com os emplastros de sempre, com mais subsídios, mais renúncias fiscais (sempre temporárias e só para os amigos), mais reservas de mercado, mais proteção cambial, mais defesa tarifária e, é claro, as lamentações de sempre.

(*) Celso Ming. O Estado de São Paulo. Economia. B2. - 8 de agosto de 2014. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Nota: destaques do Portal.

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