PRODUTIVIDADE E MERITOCRACIA – Por João Baptista Sundfeld (*)

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A produtividade é característica ou condição do que é produtivo. Em termos simples, seguem-se alguns exemplos para facilitar sua compreensão. Se nos referirmos à produtividade campo agropastoril, podemos avaliar uma vaca leiteira considerando a quantidade de litros de leite produzidos por dia, a fim de encontrarmos um bom indicador de sua produtividade ou 20/30 litros por dia, em vacas selecionadas.

Na agricultura de um país pode-se calcular a produtividade por alqueire plantado de arroz, dividindo-se o total de sacos produzidos pelo número de alqueires plantados.

Já numa fábrica metalúrgica poderemos ter uma prensa que produz 1.200 parafusos por hora e sua produtividade será 20 parafusos por minuto (1.200/60). Outro exemplo de fácil compreensão é de um restaurante onde são gastos 200 kg de feijão para preparar 1.000 refeições. Nesse caso, consumimos 200 gramas de feijão por refeição ou 200/1.000 = 0,2 gramas por refeição.

A produtividade pode ser calculada para diversos fatores de produção, dependendo apenas da necessidade que se tem para do cálculo. Quando se trata da produtividade do fator trabalho, tem-se a capacidade da mão de obra produzir mais em um determinado período de tempo.

Esse assunto já foi alvo de muitas análises, inclusive a que foi feita pelo economista, sociólogo e filósofo alemão Karl Marx, o qual tratou de atribuir a mais valia absoluta da mão de obra, por meio da ampliação da produtividade pelo aumento da jornada de trabalho, o que denominou de “a exploração do trabalhador”, por considerar o valor constante pago pelo trabalho, desproporcional ao aumento da produção, mas esse tema político-sociológico foge do objetivo desse artigo.

Em economia, a produtividade é a relação entre a quantidade ou valor produzido e a quantidade ou valor dos insumos aplicados à produção. Portanto, é a capacidade dos fatores de produção para criar um produto que pode ser tangível ou um serviço intangível.

A fórmula matemática que nos dá a produtividade é a seguinte:

PRODUTIVIDADE TOTAL DOS FATORES = Y / (aK + bL) onde:

Y = produto (serviço);

K = fator de produção (mão de obra, matéria prima ou outro);L = o fator trabalho;

a e b= os ponderadores dos respectivos fatores.

Modernamente, em sociedades avançadas, utilizam-se várias formas de incentivo para que o fator humano seja estimulado, sem que se interprete como exploração da mão de obra.

Aplica-se nesse campo a expressão “meritocracia”, que atribui mérito a quem produz mais e melhor, sem considerar fatores como parentesco ou apadrinhamento, sexo, cor, partido político ou religião. Como vemos poderemos utilizar o conceito de maneira saudável e reconhecendo os méritos por um trabalho melhor.

Para julgar o mérito, poderemos considerar, no mínimo, duas categorias:

a) Técnico – aplicável à capacidade técnica para realizar a tarefa

b) Comportamental – aplicável à capacidade de relacionamentos adequados à função exercida.

Essa prática é muito disseminada nos Estados Unidos da América e na Europa, principalmente em empresas multinacionais. No Brasil as empresas estão mais atentas para o uso do sistema de incentivos, que recompensa aqueles que demonstram maior capacidade e dedicação ao trabalho.

Podemos citar um consultor de recursos humanos – Josué Bressane Junior – especialista no assunto e que trabalhou na Ambev, uma das empresas pioneiras na implantação do modelo meritocrático no Brasil. A professora Lívia Barbosa, da ESPM, também é conhecida por ser autora de um livro que trata a Meritocracia sob todos os ângulos.

A metodologia pode ser implantada em qualquer atividade, desde que sejam analisados os valores da cultura organizacional da empresa. Em geral, o ser humano é refratário às mudanças, mas desde que sejam esclarecidos os meios e os fins, a meritocracia é bem aceita, porque premia os mais capazes de atingir as metas estabelecidas pela empresa.

A área de vendas é a mais conhecida na utilização do modelo para premiar pessoas que se destacam pela capacidade de vender mais, contribuindo com melhores resultados. Utiliza-se o método de pagar comissões por vendas, bem como bônus por aumento das vendas.

Outro bom exemplo é o já implantado no futebol brasileiro: pagar um prêmio (“bicho”) às equipes vencedoras. É simples e natural de compreender, desde que nos desapeguemos de conceitos políticos ou de favorecimento, discutíveis em todos os sentidos.

O sistema, basicamente, determina objetivos e metas que, se atingidas, permitem a comprovação e o pagamento pelo êxito alcançado. É utilizado até em escolas para reconhecer o merecimento de professores pelo melhor desempenho dos alunos, os quais recebem melhores notas de avaliação pelos trabalhos melhor elaborados.

É conhecida a não aprovação de sindicalistas que discutem o sistema sobre a égide da exploração de pessoas, mas deveremos considerar que o sistema capitalista é o que melhor absorve a ideia, não sendo fácil que um modelo autoritário ou comunista o aceite, apesar da evidência que têm os méritos, reconhecidos por todos os seres humanos, como fator de avaliação.




(*) João Baptista Sundfeld é economista e sócio da Sundfeld & Associados – Gestão Empresarial - www.sundfeld.com.br

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