RESPONSABILIDADE SOCIAL E ÉTICA EMPRESARIAL – Por João Baptista Sundfeld (*)

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A responsabilidade social está intimamente vinculada à cultura da sociedade em que vivemos considerando seus valores e comportamentos.

São conhecidos hábitos diferentes conforme o país e até à determinadas regiões. No Brasil, um país continental, percebe-se essas variações de norte a sul, mas uma característica comum do povo brasileiro é a amabilidade e a facilidade nos relacionamentos, desde que respeitadas as culturas regionais.

A pessoa não é ética de nascença mas, com a experiência de vida e a educação familiar e escolar, aprende a se relacionar, respeitando os valores e a moral de cada lugar.

A globalização está, por meio da mídia, influenciando a mudança de comportamentos no mundo. Hoje, o ser humano vê-se destinado a assumir novos valores, uma nova moral e uma nova ética, baseado em conceitos de marketing, de mercado, ganhos e lucros, competência e produtividade, entre outros. Trata-se também da ética do dinheiro, do consumo, do ser bem sucedido, dos destaques e das diferenças. A ética tem seus fundamentos nos estudos filosóficos e procura explicar as realidades com o estudo dos valores humanos, também entendidos por juízos morais.

A ética empresarial trata das relações das empresas públicas, privadas ou mistas, com todos os demais segmentos de seu campo de ação. Incluem-se os colaboradores, fornecedores, clientes, concorrentes, o público em geral e a comunidade.

A ética empresarial é submetida a princípios jurídicos de natureza legal e a princípios de natureza social, em conformidade com os valores da organização, que dizem respeito à responsabilidade individual de seus integrantes e aos valores sociais da sociedade em que a empresa está inserida.


Atualmente, a desregulamentação e abertura dos mercados, a competitividade entre duas ou mais empresas tornaram-se objeto de avaliações mais sofisticadas e presentes, justificadas por um conjunto de critérios, dos quais a responsabilidade social é uma condição necessária.

A responsabilidade social, neste caso, inclui a prestação de contas, o balanço como a empresa age em relação a seus empregados, à concorrência, ao seu público-alvo e, especialmente ao meio ambiente. Trata-se de analisar, de maneira crítica e imparcial os conceitos e teorias, os materiais e métodos, valores e crenças, o justo e o errado. Sendo a Administração uma ciência social, devemos analisar o “choque cultural” dentro e fora do país. Uma pesquisa baseada em relatórios de empresas multinacionais concluiu que 40% de executivos alocados em projetos no exterior (expatriados) deixaram o cargo por não se ajustarem às novas culturas, e 50% dos remanescentes apresentaram desempenho abaixo da média, causando perdas estimadas em US$ 2 bilhões por ano.

Essas empresas, agora precisam treinar e oferecer acompanhamento psicológico aos executivos que irão substituir os que retornaram. Para ilustrar o que afirmamos, bastam alguns exemplos de comportamentos diferentes associados à ética de diferentes culturas. Na Tailândia e nos países árabes, não é bem visto o hábito de cruzar as pernas mostrando a sola do sapato, considerada a parte mais suja da vestimenta. Nós, brasileiros, temos hábitos locais que nem sempre são bem vistos, como tocar no corpo do interlocutor, abraçar e beijar. O consultor de Estratégia Empresarial Francisco Gomes de Matos destaca que

“a responsabilidade social é uma exigência básica à atitude e ao comportamento, por meio de práticas que demonstrem que a empresa possui uma alma, cuja preservação exige e implica em solidariedade e compromisso social (2005)”.

Os aspectos éticos na avaliação da responsabilidade social das empresas referem-se, entre outros, às dimensões éticas na condução dos negócios, às questões morais que se originam nas relações de trabalho e aos objetivos e metas em relação ao cumprimento dos códigos de ética dos profissionais que delas fazem parte. Um caso conhecido nos anais das faculdades é o do Tylenól, medicamento fabricado pela Johnson & Johnson, que teve uma produção comprometida por má fé de alguém na linha de produção, tendo que recolher e substituir todo o estoque já vendido, para manter seu bom nome no mercado e continuar respeitado.

Finalmente, podemos recomendar as seguintes perguntas para que se decida sobre questões controversas:

- É justo?

- É moral?

- É honesto?

- É legal?

Uma decisão só deve ser implantada se tiver como suporte a verdade, a justiça, a moral e a legalidade. Como disse o jornalista e escritor Arnaldo Jabor (2013),

“Seria bom que as pessoas de bem tivessem a ousadia dos crápulas”.

(*) João Baptista Sundfeld, economista, contador, mestre em educação, coach e consultor da Sundfeld & Associados – www.sundfeld.com.br

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