INFLAÇÃO - João Baptista Sundfeld (*)

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          A definição econômica da inflação é a alta continuada e substancial do nível geral dos preços, concomitante com a queda do poder aquisitivo do dinheiro. A causa principal da inflação é devida ao crescimento da circulação monetária em desproporção com o volume de bens disponíveis. É um tumor, um câncer ou tumor maligno que deve ser removido para evitar o crescimento do mal. Deve ser tratado com cuidados especiais que evitem a recidiva.

         Entre os anos de 1960 a 1970 tivemos o início do desequilíbrio econômico no Brasil. Naquele período, os índices de inflação chegavam a aproximadamente 40% ao ano. A seguir, a década de 1980 foi marcada pela conjunção de dois fatores:

a) forte retração na taxa de expansão econômica.

b) significativo aumento da inflação. A média anual, por exemplo, subiu para 330% e, entre 1990 e 1994, para 764%. Foram pelo menos 15 anos de hiperinflação.

         Na época os supermercados e o comércio em geral remarcavam diariamente os preços dos produtos, que sumiam rapidamente das prateleiras e das vitrines, já que a população estocava alimentos por temer as sucessivas altas. Esse quadro caótico se estendeu aa primeira metade dos anos 1990, forçando os governos daquele período a adotarem sete planos de estabilização econômica em menos de dez anos com resultados pífios.

         Foi apenas a partir de 1994, com a criação do Plano Real, que o País deu os primeiros passos rumo à estabilidade econômica. Era o fim da correção monetária, do congelamento de preços e da inflação acima de dois dígitos. Foi no governo Itamar Franco que o Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, constituiu equipe de alto nível convidando economistas e advogados para implantação do plano. Registre-se que o Partido dos Trabalhadores (PT) jamais aceitou o Plano Real.

         A partir de 1999, o Brasil adota metas para a inflação. Por esse regime, o Banco Central atua para garantir que a inflação esteja dentro de um patamar máximo pré-estabelecido.

         O instrumento mais importante utilizado pelo BC para atingir esse objetivo é definir a taxa básica de juros da economia, a Selic que significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Trata-se de um sistema computadorizado, cujo responsável é o Banco Central, ao qual, apenas instituições autorizadas têm acesso.

         É calculada diariamente pela média das operações financeiras feitas por instituições de mercado e revisada mensalmente pelo Banco Central.  

         As metas têm como marco de referência a taxa oficial de inflação – o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado pelo IBGE. Assim, o governo estabelece alvos anuais para a inflação e as divulga, cabendo ao Banco Central executar as políticas necessárias para cumprimento das metas fixadas.

         O ano de 2013 começa com sinais preocupantes de inflação crescente. Parece que os governantes esqueceram os danos causados ao Brasil na época de hiperinflação acima descrita. Portanto, bastaria lembrar o passado recente para adotarmos providências imediatas, ou sejam:

1 – Não aumentar o volume de dinheiro em circulação.

2 – Buscar o desenvolvimento de meios de produção interna.

3 - Evitar que as importações prejudiquem a política de crescimento industrial interno sem, contudo, criar restrições indesejáveis.

4 – Não estimular o consumo desenfreado.

Ao leitor caberá examinar a situação atual da economia e constatará que:

         1 – A retenção de reajustes de preços de combustíveis e outros produtos ou serviços só prejudica a competitividade interna e mascara a inflação.

         2 – O estimulo ao consumo via redução do IPI é medida desvantajosa a médio e longo prazo.

         3 – A falta de investimentos em educação deixa a população a mercê de especuladores.

NOSSA CONCLUSÃO É UMA SÓ: CAMINHAMOS PARA NOVA ONDA INFLACIONÁRIA QUE PODERIA SER COMBATIDA COM POLÍTICAS ECONÔMICAS NÃO POPULISTAS VOLTADAS A EVITAR OS PROBLEMAS JÁ VIVIDOS PELO BRASIL.

(*) João Baptista Sundfeld é economista e sócio da Sundfeld & Associados – Gestão Empresarial. www.sundfeld.com.br

Cel. 99991.3529

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