POBRES CHINESES! - Nelson Wengrill (*)

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 Nelson Weingrill (*)


Nos últimos tempos, vozes tem se levantado em todo o país procrastinando os chineses, porque muitos dos artigos que eles produzem estão desestabilizando algumas atividades produtivas, quando não as obrigando a encerrarem atividades.


Mas a culpa é deles?


Nota-se que o governo chinês, como o da maioria dos países, busca desenvolver uma política de pleno emprego, não só para amenizar a vida dos concidadãos, mas, também para, com os recursos obtidos ampararem os setores mais importantes de um desenvolvimento sustentável: educação, saúde, pesquisa e tecnologia.


As circunstâncias decorrentes de uma superpopulação fez com que a remuneração da mão-de-obra se mantivesse em níveis inigualáveis com relação aos demais países, inclusive do Extremo Oriente.


Isso provocou a cobiça das grandes empresas internacionais e muitas delas montaram filiais ou mesmo se associaram a empresas locais, transferindo-lhes o know-how que utilizavam em outros países, para a produção de artigos com suas marcas.


Não só a tecnologia da produção, mas, principalmente de marketing, permitiu que a China passasse a ser um fornecedor importante em muitas áreas.


Muito bem!


Foi justamente aí que surgiram os vilões.


As empresas gigantescas não têm pátria nem bandeira, a não ser aquela da obtenção de posição privilegiada nos mercados em que atuam, visando um possível monopólio, nem que para isso sejam eliminados os concorrentes locais, independente de seu porte e participação no mercado.


Sabendo que a capitulação do adversário é acelerada pelo cerceamento de recursos, qual a estratégia?


Inundam o mercado com produtos de baixo preço até obterem um market share significativo, o que faz com que os produtores locais, privados de parte substancial do mercado, começam a sentir a escassez de recursos e dos réditos, de tal sorte que, via de regra, não dispõem de recursos para o pagamento das obrigações tributárias. Com o decorrer do tempo e da irreversibilidade da presença dos gigantes da economia, vêem-se forçados à redução do quadro funcional.


Essa é outra tragédia que assola as pequenas e médias empresas manufatureiras, pois, seus proprietários e/ou sócios estão sujeitos à draconiana Justiça do Trabalho que, mediante o acordo Bacenjud, bloqueia o saldo de suas contas correntes, agravando ainda mais a situação daquelas pessoas que, às vezes, não dispõem de recursos necessários para se deslocarem à suas empresas.


Como se deduz, não são os chineses os responsáveis pela ampliação do número de empresas manufatureiras inadimplentes e mesmo daquelas que recorrem aos Refis ou às recuperações judiciais buscando sobreviver, mas dos próprios patrícios, por iniciativa própria ou por determinação de seus patrões, provocam esse desequilíbrio que atinge nossa economia e tem feito com que o Governo Federal procure estabelecer medidas protecionistas e de salvaguarda para um futuro mais ameno, porém, fazem-se necessárias medidas que amenizem as reminiscências de um passado recente, pois elas tem alijado muitas empresas dos fornecimentos ao poder público, facilitando, ainda mais, a cômoda atuação dos importadores.


Os chineses devem estar satisfeitos da vida pela ação de sua Quinta Coluna que está contribuindo para o desemprego de muitos brasileiros. Para os mais novos a explicação: na Segunda Guerra Mundial, Quinta Coluna era o cognome daqueles que, nos países Aliados, trabalhavam a favor das nações do Eixo, como espiões, informantes ou agentes.


Concluindo:


Se eliminada a fabricação nacional, o que vai ocorrer?


Pobres seremos nós brasileiros, não os chineses!

 

(*) Nelson Weingrill - ex-presidente do Sindicato das Indústrias de Instrumentos Musicais e de Brinquedos do Estado de São Paulo

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