Conselho de Família

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Nívio Terra (*)

Não poderia iniciar estas reflexões, sem antes transcrever excelente lição produzida pelo abalizado consultor René Werner :
”Os desafios que a Empresa Familiar enfrenta para a sua continuidade são inúmeros, por isso é importante ressaltar a necessidade de sintonia entre o processo gerencial e as espectativas familiares. Comumente vemos empresas estabelecendo Conselhos de Administração, Conselhos Fiscais, Conselhos Deliberativos ou mesmo Conselhos Consultivos para se ocupar dos mais variados aspectos da gestão empresarial, preterindo os Conselhos de Acionistas como fórum para discutir e determinar os aspectos pertinentes ao Patrimônio familiar”
                   O empresário fundador precisa se preocupar em transmitir, pessoalmente, a cultura da sua organização àqueles que, um dia, serão os seus donos. A técnica que me parece mais aconselhável é a criação de um Conselho de Família  ¾ ou outro nome que se dê, isso não importa  ¾visando reunir seus integrantes.   

                   Mas não é fácil essa tarefa. Em primeiro lugar por suas próprias barreiras, já que o empresário fundador sente certa dificuldade em conduzir debates com seus familiares mais chegados a respeito de questões de sua própria empresa. De certa forma, lhe parece que estão eles desinteressados em conhecer os detalhes do funcionamento da organização, ou, talvez, não apresentam a devida capacidade para entender ou acompanhar os trabalhos. De outro lado, também os familiares não demonstram qualquer interesse em participar dos negócios tocados pelo pai. Tudo vai indo tão bem! E ainda “melhora”, quando pesquisados a respeito do tema, refletem : “que  adianta ir lá? Não irei  ‘apitar’ nada! Além disso, o sucessor já está escolhido por ele mesmo !”
                   Diante de tais dificuldades, há, ainda, um outro obstáculo: o desconforto de  tudo isso parecer maus presságios. Infelizmente, é uma verdade. Ambos lados, erradamente, vinculam o conhecimento da empresa pelos familiares à morte, doença incurável ou perda da liderança pelo fundador. Poucos se apercebem de que o intuito é premiar o empreendedor com um merecido descanso AINDA EM VIDA !  Será uma forma dele usufruir todo o trabalho que desenvolveu, sabendo que poderá ver, feliz,o seguimento  do seu esforço. E isso, ele somente poderá ser obtido através da transmissão da cultura que criou no negócio e da demonstração que eventuais divergências levam a nada ou, melhor, somente acarretam prejuízos.       

                   Conselho de família, portanto, é a fórmula de seus integrantes ¾ os familiares  ¾se conscientizarem do patrimônio familiar e de sua administração. Talvez o nome deva ser outro, mais apropriado a um negócio: exemplo, Conselho Consultivo, isto é, uma preliminar de um futuro e verdadeiro Conselho de Administração, onde se alojarão os acionistas ou sócios. 
                    E será nesse ambiente que poderá nascer um líder. Dos debates familiares serão retiradas as características necessárias àquele ou àquela que conduzirá a empresa. Ou será concluída, ainda com a ajuda do fundador, como deverá ser a continuidade da empresa: através de uma direção profissional; divisão em partes para distribuição aos interessados ou venda a terceiros.       

                                                               

 ALGUMAS PREMISSAS DEVEM SER SEGUIDAS NA EXECUÇÃO DESSE EMPREENDIMENTO:

A)    – Deixar clara a intenção primordial do fundador, que é a de ver seu esforço de tantos anos contemplado com a proveitosa utilização do PATRIMÔNIO FORMADO.
B)    – O desejo, portanto, é de que os familiares, paulatinamente, tenham ciência do que É A EMPRESA , como é conduzida e quais são as pessoas envolvidas no seu dia-a-dia.
C)    – NADA SERÁ IMPOSTO, exigido; os próprios familiares é que irão formulando suas dúvidas, de tal forma a adentrarem no mundo dos negócios.
D)    – Se e quando necessário, poderá SER OUVIDO ALGUM PROFISSIONAL, funcionário ou não da empresa, sobre detalhes técnicos, tais como, balanço, vendas, incorporação, marketing, etc. Ou seja, SEM MAIOR DIDATISMO MAS COM A MAIOR CLAREZA, os membros irão se assenhoreando das principais características empresariais; daí ser aconselhável, salvo exceções, serem efetivadas reuniões em dependências da própria empresa, JAMAIS DURANTE AS REFEIÇÕES.              

Convém alertar que os conhecimentos que os membros da Família forem adquirindo muito os auxiliará nas suas práticas e atividades pessoais, já que, no fundo, negócios são sempre negócios, mudando, tão somente, certas regras específicas.

(*)Nívio Terra - Advogado e especialista em Consultoria Pessoal ao Empresário.

(Publicado em ago/1966)

 

 

 

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