PROER, verdades e mentiras - Fabio Broder (*)

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 Fabio Broder (*)

Pode-se dizer que o Proer só serviu para salvar grandes banqueiros quebrados ?

Não.
É preciso lembrar-se que grandes bancos como o Nacional , Econômico ou Bamerindus, eram instituições que mantinham depósitos de milhões de brasileiros. Muitas poupanças e economias de vidas inteiras estavam custodiadas nestes bancos, portanto a falência destes causariam prejuízos terríveis a uma parcela grande da população.
Obviamente que alguns banqueiros também se beneficiaram, pois o custo de sua ineficiência fora repartido entre a sociedade.

Então o Proer usou o dinheiro de todos para beneficiar uma parcela da população ?

Não é tão simples.
O salvamento de bancos beneficia diretamente todos seus depositantes. Porém a falência aberta de grandes bancos do sistema financeiro brasileiro causaria uma grave crise de confiança da população sobre todo o sistema, o que poderia acarretar em corrida aos bancos, grave crise de liquidez, e, no limite, insolvência de todo sistema, o que seria extremamente prejudicial a todos. Portanto, pode-se dizer que o Proer afeta indiretamente toda a população.

Se então o Proer beneficia toda população, por que é tão criticado?

O salvamento destes grandes bancos era necessário, qualquer banco central responsável no mundo teria que fazer a mesma coisa.
O grande problema, ao meu ver, foi ter permitido que estes grandes bancos chegassem nesta situação. As entidades públicas responsáveis pela administração do sistema financeiro, que são o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional, têm como função fiscalizar os agentes participantes do sistema, com amplos poderes para tal. Existem normas e rotinas de envio diário de informações dos bancos e demais agentes financeiros aos órgãos competentes. Certamente houve falha na fiscalização, para que grandes bancos atingissem uma situação patrimonial tão negativa. Mesmo porque isso não acontece da noite para o dia, é um processo de meses ou anos camuflando balanços.

Será então impossível fiscalizar de maneira eficiente dada a atual volatilidade e complexidade dos mercados financeiros ?

Não.
Basta lembrar o caso do Banco Barings de 1997. Um banco inglês de mais de 200 anos de existência. Uma única grande operação de derivativos feita por um diretor de sua sede asiática causou um enorme prejuízo. Imediatamente o banco central inglês detectou que o passivo do Barings tornara-se maior que o ativo, uma Libra que seja, e imediatamente interrompeu as suas atividades, cancelou a carta patente de seus gestores e colocou-o a venda pelo valor simbólico de 1 Libra Esterlina. O banco holandês ING o comprou, assumiu suas atividades sem que houvesse nenhum prejuízo aos clientes; e a sociedade inglesa não teve que arcar com uma operação de salvamento.

Assim sendo, houve fraude ou má fé na fiscalização de bancos brasileiros ?

Probably !

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(*) Fabio Broder, administrador pela Fundação Getúlio Vargas
sócio da Broker Invest Asset Management
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(Você já leu? Chegou no dia 02/01/02)
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