PREVIDÊNCIA PRIVADA - Uma visão crítica - Fabio Broder (*)

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 PREVIDÊNCIA PRIVADA - Uma visão crítica  
 
  Fabio Broder (*)

Previdência pública X Previdência privada

Não só no Brasil mas no mundo inteiro, os modelos de previdência social patrocinada ou administrada pelo governo provaram ser algo inviável no longo prazo. Seja pela famosa ineficiência do setor público, seja pela alteração dos perfis populacionais de expectativa de vida e crescimento vegetativo, os sistemas públicos de seguridade social encontram-se falidos ou caminham para uma situação de insustentabilidade. Os países desenvolvidos também não escapam da terrível e infalível equação matemática aonde um número cada vez maior de inativos tem que ser sustentado por um número decrescente de contribuintes ativos.
Surge então a crescente necessidade de cada indivíduo garantir sua aposentadoria através de sistemas de previdência privada.

A previdência privada é viável à medida que os parâmetros sejam flexíveis. O prazo e a forma de contribuição, o tipo de benefício, a idade de aposentadoria e outras variáveis são mutáveis, negociáveis caso a caso. Assim sendo, as alterações das estatísticas populacionais são sempre levadas em consideração e os planos vão mudando conforme mudam os padrões sociais. Desta forma as instituições privadas que prestam este tipo de serviço não ficam reféns de leis e direitos garantidos em constituição, o que engessa os sistemas previdenciários públicos.

Previdência privada: bom ou mau negócio ?

Atualmente assistimos no Brasil ao rápido crescimento do setor de previdência privada. Com a falência do sistema público, as instituições financeiras estão investindo muito e tentando explorar rapidamente o potencial deste setor, que ainda se encontra embrionário. Porém, tão grande é a quantidade de produtos sendo ofertados quanto a dificuldade das pessoas saberem como medir se é um bom negócio.

O principal argumento de venda dos gestores de previdência privada reside no fato de que se uma pessoa contribuir mensalmente com um pouco de dinheiro desde jovem, poderá facilmente acumular um patrimônio que garanta uma aposentadoria financeiramente tranqüila. Se uma pessoa começar a se preocupar desde cedo a acumular uma reserva destinada a velhice, o custo deste plano pode ser bastante baixo.
Isto é uma grande verdade, mas se analisarmos mais de perto os números, concluiremos que os atuais planos de previdência privada no Brasil podem ser um péssimo negócio.

Atualmente no Brasil, a meta de rentabilidade estipulada para este dinheiro é de TR + 6% ao ano, ou seja, os administradores de recursos de previdência buscam rentabilizar o dinheiro dos clientes em aproximadamente 12 % ao ano. Se conseguirem uma rentabilidade melhor o cliente terá que dividir o lucro com o gestor, a título de taxa de performance. Assim sendo, a mistura entre taxa de administração e performance faz com que estes recursos tenham rendido 11% em média.

Muitos gerentes de banco ou vendedores de planos de previdência dirão que se uma pessoa contribuir R$ 500,00, mensalmente, a partir de seus 30 anos de idade, quando tiver 60 anos terá acumulado aproximadamente R$ 1.250.000, considerando as metas atuariais dos fundos de previdência. É uma bela aposentadoria. Os investimentos constantes por um longo período, associados aos juros compostos, geram uma equação de incrível crescimento exponencial. É bastante sedutor um plano deste tipo.

Entretanto, se considerarmos que a taxa básica de juros hoje no Brasil está na casa dos 19% ao ano, se a mesma pessoa investir sozinho os mesmos R$ 500,00 num fundo DI minimamente competente, terá acumulado impressionantes R$ 6.200.000 depois de 30 anos. Se considerarmos uma taxa média de rentabilidade de 16%, ainda assim, teríamos uma acumulação de R$ 3.400.000.
Isso significa que, apesar de parecer sedutor, um plano de previdência privada pode ser extremamente caro. Caso sejamos disciplinados, podemos acumular muito mais dinheiro administrando a aposentadoria por conta própria. Obviamente, manter a disciplina por 30 anos não é algo tão simples para todas as pessoas, porém é necessário que saibam o quão caro estarão pagando para que uma instituição financeira os mantenham disciplinados.

Longuíssimo prazo

Além disso, quando compramos um plano de previdência estamos comprando um produto de longuíssimo prazo, ou seja, se os fundamentos macroeconômicos não se mantiverem razoavelmente estáveis e previsíveis por 30 anos todo planejamento de acumulação de renda pode não se concretizar.
Nos últimos 30 anos o Brasil teve 7 moedas, 36 ministros da fazenda, confisco, moratória, 11 planos econômicos, hiperinflação, maxi-desvalorização, expurgo de indexadores e mais outras muitas surpresas. Isso significa que, apesar de estarmos vivenciando um período de relativo controle inflacionário, o Brasil ainda representa um porto extremamente instável para se planejar prazos muito longos. O que me obriga a desrecomendar planos de previdência nacionais, denominados em moeda nacional, em detrimento a planos estrangeiros denominados em dólar.

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(*)Fabio Broder, administrador pela Fundação Getúlio Vargas
sócio da Broker Invest Asset Management
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(Você já leu? Chegou no dia 21/01/02)
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