Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – Sucessões Que Falharam – 17/12/2013

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Categoria: E-book

SUCESSÕES QUE FALHARAM.


IMIGRANTES DEBATEM RAZÕES DA DESCONTINUIDADE DAS SUAS

EMPRESAS.

Reunião cosmopolita aquela; estavam presentes um senhor judeu, outro italiano e mais um coreano. Interessante que, apesar da desigualdade de raça (ou de credo, sei lá, isso não importa), todos eram imigrantes, tinham sido comerciantes da zona do Bom Retiro, na cidade de São Paulo, com eficiente atuação, e não viram suas empresas continuarem no mercado.

Pois é, dizia o italiano GIUSEPPE, mais expansivo: tanto falam de sucessão familiar e nunca ninguém me explicou por que minha firma acabou saindo da praça. Tanto esforço, da minha mulher e meu, e nada. Quando vi, já me sentia cansado, filhos crescidos, e sem vontade de continuar lutando, batalhando. Achei melhor liquidar tudo.

É tudo igual, retrucou o judeu Samuel, aconteceu o mesmo comigo; acho que é sina do Bom Retiro. A gente quer que eles estudem, sejam doutores, para maior sucesso na vida. Um deles foi ser administrador. Contava com ele para vir tomar conta do estabelecimento, fazendo-o crescer. Fiz, com minha mulher, muito esforço para criar – o que dizem – uma firma saudável. Depois, era só ele dar outro impulso. E, o que aconteceu? Formado, foi trabalhar numa multinacional e, pronto, perdi meu administrador. Preferiu ganhar salário. Acho que são coisas assim que fazem as empresas acabarem, quando podiam ganhar mercado, progredir.

Para mim, falou GIUSEPPE, foi um pouquinho diferente. Sabe como é, quando comecei o negócio, sozinho, achava que tinha de colocar um dos meninos para me ajudar. Já pensou se eu viesse a faltar, ainda cedo? E segui o caminho tradicional: comecei a ensinar o mais velho no comércio. Até que ele era bom, esperto. Os outros, mandei para a escola superior – va bene. Mas eu tinha a garantia do primogênito, ajudando a criar o patrimônio da família. Mas eu nunca perguntei se ele gostava do que fazia. Um dia, já com trinta e poucos anos, pediu para falar comigo. Com toda cerimônia, mas muita firmeza, chegou dizendo que deixaria de trabalhar no nosso pequeno negócio. Com esse tom, adiantava perguntar o motivo? O que poderia fazer?

O coreano KIM quis deixar seu testemunho: embora estando há menos tempo no Brasil, percebi o destino dos meus, vendo o que aconteceu com os vossos. Os jovens são todos iguais, preferem – como é mesmo que se fala? – o dolce far niente. O trabalho duro nas nossas lojas, em nossas fabriquetas não os atrai.

E continuaram os três em silêncios lamentosos. Pareciam estar estudando a razão das próprias empresas não terem vencido o tempo, esgotando-se no passado, apesar do sucesso. Ou talvez estivessem pensando que eram muito críticos com os descendentes.

A certo momento, indagou KIM, preocupando-se com que as palavras refletissem bem seu pensamento: deve haver uma razão porque todas saíram do mercado. Diante de resultados equivalentes, tudo leva a crer que nossas orientações foram, com certeza, as mesmas e, talvez, incorretas.

GIUSEPPE e SAMUEL concordaram, balançando as cabeças.

SAMUEL aceitou a crítica velada dizendo que, na verdade, embora todo esforço realizado para criar e desenvolver o negócio, talvez faltasse a demonstração perante a família da alegria pelo que fazia.

GIUSEPPE prosseguiu, afirmando que o mesmo ocorrera com ele. Várias vezes chegava em casa se queixando do trabalho, das mudanças na lei, nos impostos e da trabalheira para entender o que o governo queria. Pequeno, meu garoto me dizia: pai por que meus amigos, filhos de doutores, falam mal dos comerciantes? Ainda mais isso!

KIM: – É verdade, nos falta prestígio, conceito na praça, ainda que sejamos corretos no cumprimento de nossas obrigações. Mais vale quem tem um anelão no dedo. Tenho certeza que isso levou meus rapazes a estudarem em faculdade, todos tendo hoje suas profissões. Mas quem deu a casa quando se casaram fui eu, com o dinheiro do meu negocinho.

– É, pensou em voz baixinha SAMUEL, nós gostávamos do que fazíamos, mas somente levávamos à nossa casa as coisas ruins. Recordo-me de que nas festas de fim de ano somente minha mulher ia lá, e nem sempre. Eu ficava vendo todos os empregados se divertindo, falando, rindo e eu pensando: qual a razão da ausência dos meus filhos? Jamais cogitei que eles gostariam de ver aquilo. Mas, se a atitude fosse outra, poderiam ter sido mordidos pela mosquinha daquele sucesso e ver que valeria a pena prosseguir, crescendo, ampliando o negócio.

GIUSEPPE e KIM reagiram em uníssono: – Pensando bem, nós é que erramos ao vincularmos o futuro de nossos garotos a um bonito anel no dedo, já que nos faltou essa possibilidade, inclusive a de atingir uma posição melhor na sociedade.

O silêncio demonstrava qual era a manifestação da vontade dos três: retornarem ao passado para iniciar tudo de novo. E com promessas de, entendendo melhor a cabeça dos descendentes, os estimularem a participar da empresa que tanta coisa boa oferecia. Talvez com isso conseguissem obter uma boa sucessão familiar.

E LÁ SE FOI O GRUPO LAMENTANDO, ENTRE SI E COM SEUS BOTÕES, A DESCONTINUIDADE DAS EMPRESAS QUE CRIARAM E DESENVOLVERAM E DE ONDE TIRARAM OS RECURSOS PARA TAMBÉM CRIAREM E DESENVOLVEREM SEUS FILHOS. E A VIDA CONTINUA.


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Nívio Terra - Advogado de Negócios e Consultor Pessoal
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