Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – 55 – SÓCIO QUE SE RETIRA - COMPORTAMENTO

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SÓCIO QUE SE RETIRA -
COMPORTAMENTO

          Mais uma vez me envolvo em TEMA tão intrincado que gostaria de não o ter previsto, escapando do seu estudo.

          Já falei sobre a separação e não seria justo para com o leitor, desejoso de ver debatida a maior quantidade possível de questões, imaginando um curso sociológico para sócio, bem abrangente.

          Eis um TEMA complexo: sócio que se retira da sociedade.

          Vários aspectos precisam ser abordados. Alguns genéricos, outros específicos.

          Acompanhe o leitor os esclarecimentos objetivos, cogitando que, por vezes, a separação ocorreu, ou não, sob pressões pessoais. Essa origem não é o que importa neste momento, já que em outras passagens dedico-me à origem das divergências e consequências.

          A) Em primeiro lugar comentarei a situação em que o sócio se retira por mudança de interesse, de uma forma genérica. 

          Esteja certo de que, por melhores justificativas que apresente, terceiros sempre acharão que a culpa – mesmo quando não haja – é daquele que deixou a empresa. Especialmente quando fruto de ato súbito.

          O certo é fazer o comunicado, de preferência, em conjunto com as demais partes, sem grandes alardes.

          Não adianta, em vista disso, oferecer carradas de razões a respeito da sua decisão. Proveito algum lhe trará, somente servirá para alimentar falatórios gratuitos.

          Supondo que não seja possível a notícia em comum, utilize-a individualmente, mas nunca critique seus ex-sócios, evitando que tal manifestação seja entendida como mero fruto de despeito. Se algo houver a discutir, e que não seja contornável pela via amigável, procure a Justiça.

          O retirante precisa demonstrar ao mercado sua saída da sociedade de uma forma elegante, evitando eventuais maledicências.

          B) O sócio retirante passa a fazer parte de nova sociedade. 

          Em razão do surgimento de algum motivo superveniente, a pessoa altera o seu modo de pensar, e o negócio anterior não mais lhe satisfaz.

          A nova visão do negócio acarreta a fragmentação da sociedade, o que não deve ser considerado uma desgraça.

          Ao contrário, quando a decisão é conduzida com clareza, demonstra que os empresários continuam com suas respectivas lideranças, somente com atuação de outra forma.

          É imprescindível que seja guardada a devida consideração entre os parceiros.

          Significa, por exemplo, que em seus diálogos, particularmente com estranhos, o sócio não deve maldizer o tempo em que esteve ligado ao seu companheiro de trabalho.

         Terceiros, inclusive seus novos parceiros, quando são obrigados a ouvir eventuais lamúrias ou queixumes, demonstram solidariedade, mas, com certeza, nada acrescentarão; ao contrário, talvez fiquem incomodados com as palavras proferidas pelo seu interlocutor.

          Quem age dessa forma, eventualmente trilhará o mesmo caminho no futuro e em relação a outros...

          Quem não participou dos fatos não tem proveito em saber os seus detalhes. Salvo se for um concorrente, para disso tirar alguma vantagem.

          Mais: e se o outro sócio casualmente continuar, ainda, com a amizade do ouvinte?

          O linguarudo na área empresarial não é respeitado, nem aceito como líder.

          Basta, portanto, ao sócio comunicar o desfazimento da sociedade ocorrida por uma mudança de intenção. Ponto e pronto.

          Além dos cuidados acima indicados, outros mais específicos precisam ser considerados.

          Um deles é o referente à contratação de empregados da empresa anterior. Isso talvez até não seja proibido, salvo se anterior empresa comprovar que se trata de uma forma de concorrência desleal, se o contratado estiver levando segredos.

          A jornalista Lídia Rebouças debateu a matéria em excelente reportagem, sob o título Exclusividade de Executivos é Polêmica, anotando que empresas usam cláusula para evitar que profissionais sejam contratados por companhias concorrentes.

          Ela acrescenta que essas cláusulas limitam a ação do funcionário depois que ele se desliga da empresa e representam uma preocupação crescente das companhias: perder um funcionário para a concorrência.

         Não cogito das implicações jurídicas, e, sim, chamo a atenção de que o perigo maior não é só com a nova empresa e, sim, a instabilidade emocional imposta ao empregado, com prejuízos ao seu desempenho profissional futuro.

          Esta minha atenção talvez esteja inculcada em caso que acompanhei pessoalmente e que, segundo lembro, trouxe tantas celeumas que o empregado não pôde continuar em ambas as empresas, inclusive pelo seu desgaste emocional.

          Uma outra particularidade. De preferência, o novo empreendimento deve criar algo um tanto diverso do anterior, seja em relação ao produto, serviço, embalagem e apresentação, de uma forma geral, atuando sob formato próprio.

          Não há o que um bom profissional de marketing – ou o próprio empreendedor – não aperfeiçoe. Sem falar nas inovações tecnológicas, inclusive com o aproveitamento daquelas não aplicadas na organização antiga.

          É bom para seus titulares que, com o desafio, melhor suplantarão as dificuldades iniciais. Além disso, o mercado abre-se e aceita, com maior empatia, a novidade.

         A inovação mercadológica trazida por quem conhece o setor, com ele interage significativamente, colhendo frutos.

 

 4              RESUMO DO TEMA
                                     SÓCIO QUE SE RETIRA – COMPORTAMENTO

n                     Sócio que se retira – demonstração elegante ao mercado
n                     Apresentação somente de breves comentários
n                     Ex-sócio não deve ser criticado
n                     Ao público, a comunicação, de preferência, deve ser em conjunto pelos sócios
n                     O retirante, se fizer parte de outra empresa, deve manter respeito ao ex-                  
                  parceiro
n                     Estranhos não apreciam ouvir críticas vindas de um dos lados
n                     O linguarudo na área empresarial não é respeitado, nem aceito como líder
n                     Contratação de empregado qualificado da anterior empresa deve ser evitada
n                     O novo empreendimento deve ter formato próprio
n                    Questões incontornáveis na via amigável deverão ser levadas à Justiça.3        

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Próxima edição:
Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – 56 – 11/04/2013
O FRACASSO E A VOLTA POR CIMA
Período de publicação: a partir de 11 de ABRIL de 2013

 

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