Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – 49 – SOCIEDADE ENTRE PAI E FILHO – CONFLITO DE GERAÇÕES

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SOCIEDADE ENTRE PAI E FILHO – CONFLITO DE GERAÇÕES
Existem várias origens de sociedades entre pai e filho, em função das conveniências por que são formadas, o que tornaria por demais extenso este TEMA. Chamarei a atenção para alguns dos traumas que dificultam o relacionamento na área de negócios, apesar de entre eles existir amor, amizade e companheirismo.
Espero que o interessado neste assunto tenha a paciência de acompanhar o que possa parecer mera divagação. É a forma que engendrei para dissertar algo sobre a sociabilidade desses seres tão chegados e, por vezes, tão distantes. Acompanhe-me.
Algumas sociedades se iniciam quando o filho ainda é um jovem. Em outras oportunidades a união se dá após complementados os estudos apropriados.
A razão primordial dessa união baseia-se na intenção de ser dada continuidade ao negócio e a família ter seus bens preservados. É a célebre consagração do sangue do meu sangue.
Acha o pai que seu filho dele receberá sábios ensinamentos, o que não deixa de ser realidade.
O persistente conflito de gerações e lideranças acarreta, contudo, dificuldade para o pretendido relacionamento.
O filho, especialmente aquele que teve a oportunidade de seguir uma faculdade ou outro curso de igual valor cultural, acha-se possuidor de maior conhecimento. Seu pai está, para ele, defasado, o que não deixa de representar o óbvio, por força da progressividade do conhecimento humano.
O pai, por sua vez, crê que falta experiência ao seu rebento, o que é lógico, sem qualquer dúvida.
E ambos têm toda a razão! Não obstante essa clarividência, nem sempre aplicam a necessária lucidez para alcançarem seus ideais.
Avanço um pouco mais: creio faltar humildade recíproca.
Será preciso conciliar o conhecimento de um com a experiência do outro. Com isso, o sucesso será amplo.
Asseguro que a tarefa não é fácil. As posições por vezes ficam colidentes.
O mercado está carregado de amostras de divergências familiares, particularmente por causa da distância cronológica entre ascendente e descendente, não só de idade como também de conhecimentos.
Em carta enviada à Revista Você S.A., o leitor Hegel Braga conta sua interessante história, dizendo que aos 24 anos era gerente de unidade de marketing para a América Latina.
E complementa,
As pressões me levaram a abandonar um emprego do qual gostava muito. Em seguida, assumi as funções de meu pai na empresa da família. Ele ainda é um homem saudável e produtivo, e o medo de ‘sentir-se velho e ultrapassado’ o assombrava.
Muitas brigas e conversas depois, estamos atravessando um momento muito melhor, que já se mostra no desempenho da empresa.
Não se trata de dar razão maior a qualquer das partes.
O que vale é dissecar o conflito, na tentativa de se obter uma solução.
A culpa – se houver – somente interessa com a finalidade de ser investigada, para se conhecer o caminho a percorrer e para apontar a correção de posturas.
A análise é conveniente, pois será um prévio requisito à boa sucessão na empresa familiar.
Por vezes, o pai, seja pelo seu exemplo pessoal, seja por ação própria, intervém na constituição psicológica do seu filho.
Visa criar um clone seu (aquele orgulho incontido, sangue do meu sangue).
Com a melhor das intenções, incentiva-o a ser um pequeno líder. O esmero aplicado na formação do filho, cria, neste último, pressupostos de liderança que ele enxerga no seu pai vencedor.
O filho, consciente de sua liderança, procura aplicá-la na empresa. Ocorre que lá já existe um antigo líder, reconhecido pela comunidade. Aí começam as comparações, as críticas de lado a lado.
Pai e filho passam a se desentender; no início, por coisinhas, posteriormente por divergências maiúsculas.
É o conflito de lideranças.
O pai já não sabe como lidar com o filho, e este, não obstante o respeito familiar, não consegue entender seu desde sempre líder.
Talvez caiba ao pai se aprimorar no trato da questão, mesmo que não tenha sido o causador do impasse.
Afinal, chegou à idade da serenidade, que é a liderança somada à experiência!
Esta é uma das situações desagradáveis às pessoas da família, que um consultor pessoal externo ajuda a resolver, por não estar envolvido emocionalmente. Para que ocorra um resultado efetivo, os debates, embora respeitosos, necessitam de clareza, dada a reconhecida dificuldade de se persuadir líderes, alguns um tanto obcecados em seus imutáveis princípios.
A diferença fundamental entre as aspirações das duas partes – pai e filho – extraio desta elucidativa e irrepreensível frase, e que ouvi de um filho, em caso concreto:
meu pai quer manter a riqueza; eu quero criar a riqueza.
No caso específico, isso ocorreu, embora não esteja autorizado a divulgar o nome do Autor, que se tornou eficiente empresário em atividade própria. Apreciaria que me permitisse a citação do seu nome, como homenagem à alta significância do ensinamento.
O conceito de vida do pai precisa ser compreendido, quando tem receio de perder o que conquistara com tanto esforço.
Com certeza não terá mais tempo para recuperar a sua riqueza, caso ela se escoe por um infortúnio comercial.
Nesta hipótese, será mais acertado, quando as posições não se coadunem, o pai liberar determinada verba ou parte do negócio, para que seu filho realize seu sonho, sob risco próprio.
E sua entrada na organização ocorrerá mais tarde, se for conveniente, já bafejado por êxitos particulares.
Trago outra mensagem de G. Kingsley Ward, empresário americano, ao filho, antes de admiti-lo como sócio.
Após aconselhá-lo a se empenhar no estudo, lembra-o que sem isso
...nem se dê ao trabalho de mandar (currículo) para mim; detesto enviar cartas rejeitando candidatos.
Quando estiver perto dos trinta anos, se ainda estiver interessado em tocar os negócios da família, ficarei feliz em aceitar sua proposta.
Caso você ingresse em nossas empresas nessa época, vai precisar de mais cinco ou dez anos de aprendizado – e mais treino – antes de tornar-se um executivo experiente.
Entretanto, não vai haver exames nem boletins – somente balancetes mensais informando-lhe se está sendo aprovado ou reprovado no mundo real.
Serão necessários pelo menos cinco anos para que você adquira um completo conhecimento das empresas que controlamos – nossos clientes, fornecedores, funcionários, equipe administrativa, o controle de forças externas (sobre as quais você não pode fazer muita coisa) e o de forças internas (sobre as quais você pode fazer alguma coisa).
Neste ponto, você poderá gozar dos prazeres daquele carro de luxo, viagens e restaurantes caros.
Os negócios são como um vaso de porcelana – bonito, quando intacto, mas, uma vez quebrado, difícil de ser reconstituído.
Pai e filho, filho e pai; deem-se as mãos; a família agradece; a empresa prospera. E tudo bem. Valeu!

4RESUMO DO TEMA
SOCIEDADE ENTRE PAI E FILHO – CONFLITO DE LIDERANÇAS
n As origens de sociedades entre pai e filho são variadas, em razão da
diversidade de conveniências
n O filho entende ter mais estudo e o pai, maior experiência
n Necessária humildade recíproca para juntar ideais
n O pai é exemplo de líder que gostaria de ter o filho como clone seu
n Ambos líderes na empresa, surge o conflito de lideranças
n Cabe ao pai procurar a solução, eis que atingiu à idade da serenidade:
liderança somada à experiência
n Frase significativa: meu pai quer manter a riqueza; eu quero criar a riqueza
n Solução plausível seria a do pai liberar certa verba ou parte do negócio para
uso do filho, a próprio risco.3

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Próxima edição:
Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – 50 – 11/02/2013
SOCIEDADE ENTRE PAI E FILHO – O CICLO DA VIDA É IMUTÁVEL
Período de publicação: a partir de 11 de FEVEREIRO de 2013

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