Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – 45 – EMPREGADO TORNADO SÓCIO EM EMPRESA FAMILIAR

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EMPREGADO TORNADO SÓCIO EM EMPRESA FAMILIAR

         Continuo na explanação iniciada anteriormente, quando cuidei da situação do empregado tornado sócio.

         Detalharei um pouco mais o assunto, tratando especificamente da hipótese do executivo pretendente a se tornar sócio numa empresa familiar.

         É uma situação fácil de encontrar, eis que muitos empreendedores estão diante do dilema de como dar sequência à empresa, por não terem herdeiros com capacidade para a empreitada.

         Diante dessa circunstância surge a dúvida por parte do Executivo: Valerá a pena pleitear cargo de sócio na empresa familiar?

         Assunto polêmico sobre o qual darei a minha opinião, até para ser contraditada, visando auxiliar aqueles que necessitam tomar decisão a respeito.

          Para facilitar o entendimento do leitor, saliento que acho ser inconveniente pleiteie o executivo se tornar sócio do grupo com o qual esteja trabalhando, por maior que seja o envolvimento pessoal, sem prévia e sutil verificação. Antes devem ocorrer insinuações para que verifique a possibilidade desse projeto vingar. Somente depois caberá ventilar o assunto, ainda com toda sutileza.

          É que, divagando-se sobre empreendedores e empresas, existem surpresas, de toda espécie, até por razoáveis perspicácias de negócio.

          Com esses cuidados, ficarão afastados os riscos de o interessado ter claramente impugnada a sua pretensão, por mais legítima que seja. E não chegará a público notícia de que tenha sido fritado, como se diz na gíria. Ou seja, não ficará em má situação perante os companheiros de trabalho e, também, no mercado. E até perante a sua própria família. Qualquer caminho que tome a seguir, não terá envolvimento maior com aquela negativa.

           Agora, para organizar este estudo, formulo questões bem específicas, a fim de que o leitor amplie seu conhecimento sobre o TEMA, decidindo pelo melhor caminho, a seu ver.

           SÓCIO – INTEGRAÇÃO: Estou considerando tratar-se de empresa integrante de organização de grande porte.

           1 – Não me estenderei aqui na explicação do que seja a “empresa familiar”. Peço seja considerado que as atuais pessoas físicas, no futuro, terão parentes como seus sucessores: cônjuges, filhos, netos, que formarão um outro conjunto constituído por primos, genros, noras, cunhados, etc.

           2 – Todo empreendedor tem isso em mente e sabe que o futuro proporciona surpresas na administração da Organização. Com base nisso, procura não adicionar um elemento estranho à família – encontrado na pessoa de um sócio – que tenha direito de veto em decisões.

           Essa pessoa, minoritária, por outro lado, acabará não tendo posição administrativa correta, já que, ao menos em tese, ver-se-á no meio de futricas familiares.

           3 – A integração de um novo sócio depende, também, de acertos, difíceis de serem feitos. Qual será o valor da participação? Como será paga a quota a ele destinada? Como calcular o seu desempenho na empresa? Quem decidirá sobre o quê? Deverão ser sempre distribuídos resultados?

           4 – A escolha de um dos executivos para se transmudar como sócio, normalmente acarreta conflitos com outros que se sentirão preteridos e desmotivados nos seus cargos. É um risco grande para a organização.

           5 – A grande organização somente cogita no aporte de um novo sócio quando lhe traga maior volume de negócios. A aquisição de um sócio, apenas como tocador pessoal de uma
parte da empresa não lhe é conveniente, além de criar constrangimento (embora autorizada a tanto, como majoritária) se tiver de dispensá-lo.

           6 – O Grupo Camargo Correa foi buscar, para executivo principal, o Administrador Alcides Tápias, não o levando à condição de sócio ou acionista. A Organização Globo preferiu perder os serviços do José Bonifácio Sobrinho, o Boni, a aceitá-lo como sócio, ainda que apenas numa tv a cabo (O Estado de São Paulo – 13/6/1998). No grupo CAEMI o comando foi entregue nas mãos de Oscar Augusto de Camargo Filho, administrador que trabalhava na Caemi desde 1973, sendo de confiança de Azevedo Antunes e da sócia japonesa, a Organização Mitsui.

           Uma lembrança bem significativa se encontra no ajuste entre Edson Vaz Musa (ex Rhodia) e o grupo Unipar. Para dar um novo rumo aos negócios contrataram uma sociedade provisória, sob a forma da entrega a ele de “ações em usufruto” por um determinado prazo, posteriormente descumprido por razões que não cabe aqui examinar. Passou, por ficção legal, a sócio (apenas) temporário mas, realmente, seria um administrador (Gazeta Mercantil – 3/9/1998 e Folha de S. Paulo – 8/4/1998).  

            7 – Utilizamos alguns exemplos vindos a público, e que representam a nata dos executivos brasileiros, com ampla visão de mercado, todos bem conhecidos e respeitados no país e no exterior.

            8 – Creio que restou demonstrada a dificuldade de admissão de um novo sócio, simplesmente para servir de administrador.

            GESTOR – IMPORTÂNCIA:

            1 – A Organização deseja é ter um elemento que a ajude a compor os seus negócios. Com o tempo, precisa encontrar uma pessoa para se tornar o Executivo Principal – (CEO – Chief Executive Officer), aquele que terá ascendência sobre demais executivos, representando os sócios que estarão num Conselho de Administração.

            2 – O Gestor, que costuma ser representado pelo executivo principal, sob as mais diferentes designações (Diretor Presidente, Superintendente, etc.), portanto, é uma figura central e de importância para a Organização, a quem cabe escolher o melhor elemento, o mais técnico, bastando-lhe pagar o preço devido.

           Vindo ele a claudicar nas suas funções, encontra-se fácil solução, bastando pagar os valores e indenizações, na forma contratual.

           É demissível de pronto.

           Com dinheiro veio, com dinheiro vai. 

           POSIÇÃO DO EXECUTIVO:

           1 – Para o executivo, com um bom contrato, a posição como gestor não é desprezível.

            Embora participe dos bons e maus momentos, tem sempre a possibilidade de encontrar outra posição, não lhe cabendo uma responsabilidade final na empresa, já que não é sócio.

            O que não lhe retira a obrigação de agir com a maior lealdade e dedicação.

            2 – Como é um dos pares dos demais executivos, não será antagonizado, como ocorreria se fosse um sócio oriundo de cargo de direção.

            3 – Como sócio, ao contrário, estará sujeito às regras societárias de distribuição de resultados, devendo participar, quando for o caso, dos prejuízos havidos.

            4 – Para adquirir participações do capital terá de por elas pagar; ainda que com lucros futuros, deixando de usufruir da situação financeira presente.

            5 – Como participante minoritário – salvo cláusula especial, difícil de ser aceita – estará sujeito, até mesmo, a ser destituído de cargo de direção/gerência, restando-lhe apenas participação no capital social com pouca liquidez.

            OBSERVAÇÃO FINAL: 

            O TEMA abordado não admite conclusões únicas. Cada caso é um caso.

            Os interessados devem analisar interesses próprios e dos seus familiares para chegarem a definições que, mesmo no futuro, poderão ser alteradas.

            Abrangendo o polêmico assunto das empresas familiares existe excelente bibliografia à disposição do leitor, e que talvez possa levá-lo a encontrar caminho mais suave.

            Ou utilizar um Consultor Pessoal.           .                     

 

4             RESUMO DO TEMA

       EMPREGADO TORNADO SÓCIO EM EMPRESA FAMILIAR

 

n                É situação encontradiça a do executivo pretender adentrar como sócio numa    

                   empresa familiar

n                Mas, valerá a pena? As dificuldades são diversas

n                Para admissão como sócio terão de ser examinadas várias condições: preço

                  das quotas/ações, forma e prazo de pagamento; funções na empresa, etc.

n                Um executivo tornado sócio pode acarretar conflitos com os demais

n                A grande organização se interessa por um novo sócio que produza maior

                  volume de operações

n                O Gestor é figura central e de valor para a organização até pela razão de poder

                  dispensá-lo, salvo os encargos contratuais. Dos outros diretores receberá

                 menos hostilidades

n               O sócio minoritário estará sujeito a ser destituído de cargo de

                 direção/gerência, restando-lhe apenas participação no capital social  

                 com pouca liquidez3

  
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Próxima edição:
Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – 46 – 01/01/2013
SÓCIO VISÍVEL NA MÍDIA
Período de publicação: a partir de 01 de janeiro de 2013 
 

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