Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – 44 – EMPREGADO TORNADO SÓCIO

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 EMPREGADO TORNADO SÓCIO 

         O relacionamento entre o dono da empresa e o seu empregado tem correlações diversas e nem sempre equivalentes, esclarecendo melhor, democratas.

         É aquele tipo de linha divisória imaginária, pouco propagada, meio no limbo, porque antipática quando comentada, mas existente entre:

         – credor e devedor;

         – locador e locatário;

         – torcedor e árbitro de futebol;

e, certamente, por mais esforços em contrário, entre:

         – empregador e empregado.

          Entendo e defendo a orientação de que o tratamento entre eles deva ser respeitoso e harmônico, apesar da dificuldade prevista.

          Os direitos e obrigações recíprocos precisam ser considerados.

          Feitas estas breves considerações introdutórias, procederei ao estudo da situação em que um empregado  é transformado em sócio.

          Parece assunto acessível, mas não o é.

          São várias as reflexões que faço, abrindo títulos específicos.

          Decorrências – Aflige-me cuidar de um TEMA tão delicado, precisando usar da maior clareza para resultar num bom entendimento.

          A) Na empresa. 

          Há detalhes que as partes não debatem, até por constrangimento. A particularidade desta análise, enquanto justifica a minha aflição, facilita o caminho dos que precisam refletir sobre a decisão a tomar, por se encontrarem na condição de convidado a adentrar na sociedade.

          Abro parêntese: não deixe de aceitar o convite; não seja bobo; o que segue abaixo nem sempre ocorre, talvez seja exagero meu. São, apenas,

           r-e-c-o-m-e-n-d-a-ç-õ-e-s.

           E atenda se estiver afim de! Siga, de preferência, seu feeling. Mas, não pare sua leitura; a experiência narrada evitará a incidência nos erros cometidos pelos outros. Fecho o parêntese.

           Claro que se ao empregado foi proposto integrar a empresa como dono no papel, é porque ele mereceu. Empresário algum chega a esse ponto somente por querer agradar um seu servidor.

           O convite é um prêmio ao trabalho até então executado. Merece ser recebido como Honra ao Mérito.

           Mas, sempre o mas; o premiado precisa ter a noção perfeita do que significa essa alteração de status.

           Uma escala de valores precisa ser seguida

            p-a-u-l-a-t-i-n-a-m-e-n-t-e.

            Por ter sido enquadrado como sócio no contrato, todos os titulares têm as obrigações e os direitos lá previstos. Correto.

            Já o comportamento esperado da pessoa do novo titular segue um outro roteiro. Não tem jeito.

            Por exemplo, como novo membro do comando da empresa necessitará tomar certos cuidados com aqueles seus ex-colegas, quando todos se encontravam na posição igual de empregados.

            Alguns deles festejarão a ascensão, com uma leve esperança de que o mesmo lhes aconteça um dia. Outros, invejosos, farão o que puderem para torpedeá-lo no novo degrau. Principalmente se houver instigação de seus próprios familiares:

            ... porquê ele e não você?

            O ser humano é complicado, perdoe-me este refrão. Todo o cuidado será pouco; a humildade terá de ser perseguida a qualquer custo pelo eleito. Não pense, nem aja, como se diz vulgarmente, como aquele que tem o rei na barriga.

            Quando não se está preparado, ela estoura.

            Aos sócios predecessores caberá dar apoio e aconselhamento necessários ao noviço, já que suas atribuições serão mais cobradas por todos.

            B) Na família. 

            A referência à família ocorre em relação à própria e a dos seus sócios.

            Quando a empresa já tem algum tempo de vida, os membros das famílias – se bem constituídos – se acatam ou, na pior das hipóteses, se suportam.

             Sócios bem equilibrados sabem como levar avante a empresa, contornando, quando ocorrem, as reações impróprias ou os mal-estares.

             Não pense o novo sócio, todavia, que será, de pronto, recebido com honras de chefe de estado pelos parentes de seus associados. Afinal, à primeira vista, parecerá que um naco da empresa lhes foi retirado (talvez, maldosamente, pensem: foi subtraído).

             No começo não terá reconhecimento equivalente aos demais associados. Ele é, ainda, um estranho no ninho. Será olhado de cima abaixo. Ou por cima. Não é o certo, porém ocorre às vezes. Somente solicito atenção.

             Peço desculpas aos leitores que estejam nessa situação, mas é um fato irrefutável. É signo da raça humana.

              Mereça, então apareça. 

              Falei das outras. E como fica a própria família? Precisará, logo no início do seu mandato, persuadir sua esposa e filhos que a sistemática de vida não se alterará de pronto.

              Permita-me o leitor contar um caso (causo mineiro ou case americano), e não se trata de gozação, mas serve para exemplificar o cuidado necessário:

              A história se deu por ocasião do casamento do filho de um dos sócios anteriores. As famílias dos demais foram convidadas, tudo direitinho. E eis que na igreja surge a esposa do sócio noviço com um vistoso e lindo (para mim, pouco entendido) chapéu de abas largas. Só que era a única das esposas de sócios com tal adereço. Pra quê! Até eu ouvi, depois, o falatório: que topete, só para aparecer, etc., etc. Até hoje, não sei como foi possível às senhoras enxergarem o topete embaixo do chapéu.

              Com discrição e bom trabalho – aquele mesmo que o premiou – mostrará aos seus colegas que não erraram na escolha. A coerência de atitudes o levará a receber outros e dignificantes convites. Só que mais para frente.

               Remuneração – Sob este título refiro-me à forma da retribuição que o novo sócio passará a ter.

              Antes de aceitar a comenda de sócio, convém que o escolhido considere – preparando-se para isso – que deixará de receber salário e demais benefícios. Também cessarão seus direitos trabalhistas.

              Como proprietário de participação societária, caberá receber pró-labore e participar do resultado anual que, se for positivo, redundará em lucros ou dividendos.

               A família precisará se conscientizar da mudança radical nas finanças caseiras, pela nova sistemática de retiradas, adaptando-se.

               Essas regras, além do exame particular do próprio interessado, até por não serem fixas, precisarão ser discutidas e negociadas no grupo, incluindo previsão de um período para essas mudanças.

               Creio que com alguma atenção e cuidado, o premiado será feliz. Afinal, não são todos os escolhidos e, se ele o foi, merece a glória por ter suplantado mais um degrau do penoso caminho do SUCESSO.

 4          RESUMO DO TEMA 
                       EMPREGADO TORNADO SÓCIO

  n            O relacionamento entre o dono da empresa e o seu empregado tornado sócio
                precisa ser respeitoso
  n            O convite para essa integração deve ser recebido como Honra ao Mérito
  n            Na empresa o novo sócio deverá atuar com humildade em relação aos seus ex-                
               colegas
  n            Na família dos sócios não terá pronta acolhida. Afinal, é um estranho no ninho 
                         Mereça e apareça
                         Para a própria família explicará que, de pronto, nada se alterará
                         A coerência de atitudes é que lhe trará outros dignificantes convites

  
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 Próxima edição:
Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – 45 – 21/12/2012
EMPREGADO TORNADO SÓCIO EM EMPRESA FAMILIAR
Período de publicação: a partir de 21 de dezembro de 2012 

 

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