Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – 27 – A Arte de Contornar Intransigências

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A ARTE DE CONTORNAR INTRANSIGÊNCIAS

Há muitos anos, a convivência com empresas e seus dirigentes me levou a sintetizar a sociedade para negócios como

a arte de contornar intransigências.

E usei esse substantivo feminino – arte – na concepção de Aurélio Buarque de Holanda, como sendo

a capacidade natural ou adquirida de pôr em prática os meios necessários para obter um resultado: a arte de viver; a arte de calar; a arte de ganhar dinheiro...

Ao que acresci: a arte de manter a empresa.

Procurando encontrar algum caminho que leve à prosperidade geral da empresa, com a integração efetiva de seus membros, é que procuro propagar esse conceito de que a sociedade é a arte de contornar intransigências.

Por se acharem competentes – e também líderes – na condução dos destinos da empresa, passam os sócios a atuar como os donos da verdade.

Individual e intransigentemente, pensam e agem como se fossem os únicos a darem a melhor – e última – diretriz ou solução, tanto para as questões diárias quanto no que se refere aos destinos do negócio comum.

Desse conflito diretivo surgem as divergências; no princípio simples rabugices, adiante, mais radicais.

A letra da linda música de Gonzaguinha – Grito de Alerta – embora destinada a um par amoroso, aqui se aplica quando lembra que

são tantas coisinhas miúdas roendo, comendo, arrasando aos poucos o nosso ideal.

E por acaso não é isso o que ocorre, inúmeras vezes, entre os sócios, apesar de imbuídos da maior boa-fé e intenção de acertar?

Intolerâncias sedimentadas criam espírito belicoso, que explode a todo instante, dificultando soluções.

Um advogado publicou no Jornal do Advogado, edição de agosto de 1988, a seguinte historinha:

O incidente ocorreu em grande escritório de advocacia do Brasil, pouco interessando a nacionalidade dos envolvidos. Era uma questão entre sócios reunidos com suas volumosas esposas e respectivos advogados para solucionar a pendência.

O distrato fora redigido a muito custo, recheado de cláusulas. Um dos advogados, talvez para mostrar serviço, achou prudente desdobrar uma das cláusulas em duas, alegando obscuridade. O outro advogado sustentava que não havia a tal obscuridade. Mas, mostrando boa vontade, concordou com seu colega, sorrindo para as senhoras enquanto acrescentava:

“Quod abundat non nocet”.

Mal acabou de pronunciar a máxima latina, um dos sócios, após rápida troca de olhares com a consorte, ergueu-se, emocionado, vermelho, dizendo que não ficava bem, ‘com o perdão do senhor doutor’, usar palavras baixas na presença de senhoras. Afinal, maiores que fossem as divergências entre os maridos deveria ser mantido um ambiente de respeito, etc, etc.

Percebendo o equívoco, o arrependido latinista observou que não era nada o que ele estava pensando, vez que o aforismo latino dizia apenas que

‘o que abunda não prejudica’.

O sócio ofendido ergueu-se outra vez, agora com uma careta de desgosto:

‘de novo?’

Vejam no que deu a desavença dos sócios. Não sei se a separação amigável foi realizada, servindo, todavia, o texto para mostrar como os nervos podem chegar à flor da pele.

Discordâncias, por menores que sejam, não podem ser acumuladas. Para tanto torna-se necessário utilizar a agulha do bom senso para esvaziar a sacola inconsciente que acumula os rancores escondidos.

E por falar em bom senso, nada como se buscar a experiência de vida empresarial.

José Pereira Fernandes, fundador e quando presidente do O Barateiro, supermercado de expressão à sua época, em certa ocasião expôs seu modo de agir:

Muitas vezes a gente tem que realizar concessões também. Há uma série de maneiras para se conviver bem. Muitas vezes via que estavam fazendo uma coisa errada, mas eu tive que me calar, não podia ser tudo do jeito que eu considerava ser o certo. Sempre trabalhei para manter as pessoas unidas. Acho que consegui.

4 RESUMO DO TEMA

A ARTE DE CONTORNAR INTRANSIGÊNCIAS

A sociedade é a arte de contornar as intransigências

A capacidade natural ou adquirida para se obter um resultado é uma arte, por

exemplo, a de manter a empresa

Como donos da verdade, os sócios não atingem os seus ideais societários

Segundo Gonzaguinha, são tantas coisinhas miúdas/roendo, comendo, arrasando aos

poucos o nosso ideal

Necessário utilizar a agulha do bom senso para esvaziar a sacola inconsciente que

acumula os rancores escondidos. 3

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Próxima edição:

Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – 28 – 01/07/2012

A CRÍTICA USUAL E O FENÔMENO DA TRANSPOSIÇÃO

Período de publicação: a partir de 01 de julho de 2012

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