Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários - 23 - A Mudança de Interesse e sua Forma de Comunicação

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Categoria: E-book

A MUDANÇA DE INTERESSE E
SUA FORMA DE COMUNICAÇÃO

Creio que o leitor já ouviu de algum conhecido – se é que isso não tenha ocorrido para si mesmo – a dificuldade de um cônjuge informar ao outro a disposição de dele se separar.

Dúvidas atrozes:

– como escolher o dia, o horário;

– com ou sem testemunha;

– que palavras usar;

– ouvir, ou não, previamente, o advogado.

E outras mais que se acumulam com o transcorrer mudo do tempo.

O mesmo ocorre com sócio, quando reformula a intenção que o levou a participar da sociedade. Ou, mesmo, até a criá-la, que é circunstância até mais pesarosa.

Será melhor se afastar furtivamente? Ou aguardar um final de semana, sexta-feira, no encerramento das atividades normais, e ao companheiro atirar (tal como lança fulminante), uma frase deste naipe:

Caro sócio. Não quero mais continuar na empresa. Prefiro retirar-me, levando os meus direitos (atenção, não fala nas obrigações).

Dê-me notícias na segunda-feira.

Ponto.

Prezado leitor, não estou blefando, nem exagerando. Já vivi, profissionalmente, esse drama de cliente. Embora não seja usual – ainda bem – muitos aplicam essa tática, uns com palavras mais amenas, outros mais agressivamente – até com inopinada carta de advogado.

Que tal passar para o outro lado e receber essa bordoada de quem parecia ser amigo, companheiro?

Existirá ofensa mais grave? Como será a reação?

Então, por que não sermos justos com nosso parceiro? Não estará ocorrendo, exatamente, a falta de honestidade de propósitos, exaustivamente exposta em outro TEMA, Os requisitos inerentes a um sócio?

Isso não significa que os projetos devam ser eternos, seculum seculorum.

Estou considerando a hipótese de não ter havido desavenças prévias mais sérias. Apenas o sujeito, por convicção própria, não quer continuar no negócio.

O debate precisa ser polido, mostrando o preponente sua necessidade em dar outro sentido à sua vida ou de seu familiar. E, com isso, fazer proposições leais ao colega.

Conversa franca com corretas pretensões. Como integrante do grupo conhece quais são os seus haveres e como apreciaria recebê-los. Não cabe pretender onerar demasiadamente a empresa ou o companheiro.

Na outra ponta, o sócio ficante não deverá se prevalecer da lealdade do seu companheiro e, talvez por incontida e irracional vingança, levá-lo a um desmesurado prejuízo.

Ao causador do desenlace, que deve ter refletido por muito tempo sobre a sua decisão, cabe apresentar soluções plausíveis.

E, por favor, nunca dê, inopinadamente, o aviso na tal sexta-feira. O final de semana não é ocasião de sofrimento.

Basta o tormento pela derrota do time de futebol predileto. Encontre momento e local onde possam conversar com certa privacidade.

Esses fatos me levaram a criar cláusula de contrato social, já utilizada por clientes, prevendo dia e hora para encontro anual dos sócios, sem pauta definida, visando o debate de contingência que um ou mais sócios tenham a propor, condição essa mais ou menos nos seguintes termos:

Na primeira segunda feira do mês tal, de cada ano, os sócios deverão se reunir na sede social, mesmo que não haja ordem do dia e independente de prévia convocação.

Não se trata de reunião de trabalho, propriamente dita. É momento reservado para reflexões variadas, troca de idéias sobre a empresa, sob pontos de vista pessoais, e coisas tais.

O fundamental é ter um momento próprio para cuidar de proposições fora do usual, sem que ninguém tenha o ônus de convocar seus parceiros, o que, de certa forma, torna menos doloroso falar sobre coisas que possam ser desagradáveis.

É até a ocasião para formular novos negócios, dentro ou fora da empresa. Comunicar um novo casamento. Apresentar propostas de terceiros e outras matérias.

De qualquer forma, a prévia designação constante desde sempre no contrato social reduz o incômodo do que será manifestado no ato.

A simplicidade dessa minha proposta aparenta certa ingenuidade, mas tenho a pretensão de desejar o bem para os sócios, como fundamento para a evolução da empresa.

Realmente, com essa sugestão, procuro evitar a convocação aleatória, verbal ou notificada por cartório, que acarreta início de dissabores, originando conflitos pela simples surpresa causada.

Valorizo e incentivo o debate franco, aberto, sem sobressaltos ou tentativas de golpes baixos ou traiçoeiros.


4RESUMO DO TEMA

A MUDANÇA DE INTERESSE E SUA FORMA DE COMUNICAÇÃO

n A comunicação de certas questões deve ser feita com respeito ao parceiro
n Assunto desagradável não deve ser informado na 6ª feira.
Junto com a questão deve vir a solução plausível
n No contrato pode constar cláusula para reunião anual sem pauta específica
n Valorizado o debate franco, sem tentativas de golpes baixos ou traiçoeiros.3

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Próxima edição:
Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – 24 – 21/05/2012
DEDICAÇÃO NO TRABALHO
Período de publicação: a partir de 21 de maio de 2012

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