Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários - 19 - União de Interesses: Trabalho + Capital

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Categoria: E-book

UNIÃO DE INTERESSES:
TRABALHO + CAPITAL

Reputo como a mais difícil das sociedades, em relação à sua longevidade, aquela na qual uma ou mais partes somente contribuem com capital.

Um dos quesitos da Sócio-Pesquisa indaga:

12) Você tem/teve/deseja ter sócio apenas como fornecedor de capital? Qual o relacionamento conveniente? Por tempo determinado?

Foram bem incisivas as

RESPOSTAS:

– Todas as vezes que fiz quebrei a cara!

– Desejo sócio que crie produtos (serviços) rentáveis.

– Como fornecedor, tempo determinado.

– Tenho grandes amigos envolvidos profissionalmente com finanças (diretores, gerentes de bancos) que gostariam de participar comigo de empreendimentos, porém não estimulo, visto que desconhecem os riscos do mercado onde atuo. De um grande negócio, passa a ser um grande problema.

– Um sócio não é só capital. Deve ser amigo, conselheiro e gerador de ideias e soluções.

– Considero fundamental interagir sempre.

– O relacionamento deve ser claro, transparente e imediato.

Como se vê, a posição de um sócio somente como capitalista não tem bom acolhimento, embora a grande maioria dos anúncios constantes nos jornais busque quase sempre parceiro com aporte financeiro; o trabalho é menos procurado.

Claro que não me refiro a grandes empresas ou a empreendimentos específicos, quando tal associação é muito comum. Por vezes, a união nem é formatada sob a sistemática de uma única sociedade.

A minha preocupação atende àquela circunstância na qual uma ou mais pessoas convidam uma terceira como sócio, quase que exclusivamente para fornecer o capital financeiro.

Em organizações em que o trabalho da pessoa é essencial, a existência de sócio capitalista origina questiúnculas no futuro.

É que os propósitos são diversos. De um lado, o que chamo de sócio/trabalho tem a vontade de tocar o negócio para frente. Está em mãos com um produto ou serviço e, dessa forma, pretende adentrar no mercado, mas falta-lhe suporte financeiro. Idem, quando uma empresa já existente deseja incrementar suas atividades.

A força impulsiva é flagrante, mas, ausente o dinheiro, o caminho mais curto é dar uma participação a alguém que possa trazer esse insumo – e uso esta palavra com o conceito do Aurélio: como sendo um fator de produção.

A intenção subjacente, e até inconsciente, creio eu, não é ter mais um sócio. O dinheiro é que é bem-vindo.

Do outro lado, o chamado sócio/capitalista tem por norte a aplicação de seu numerário em ambiente que lhe dê mais vantagens do que o mercado financeiro.

Ele até pode aguardar um certo tempo para que a empresa comece a ter resultado positivo para distribuição de lucro. Só que gostaria de receber uma remuneração mínima condizente com o tal mercado financeiro, contada da data do seu investimento e, de preferência, um pouco mais.

Se não, qual a vantagem? Uma eventual valorização da empresa para uma pretendida venda futura?

E o que ocorre na prática? A empresa é um sorvedouro de recursos. O capital aplicado é sempre insuficiente. Desde o início, normalmente, é subdimensionado o volume necessário. Além disso, o mercado sempre exige mais aplicações.

Se o produto ainda não está bom ou o mercado é concorrido, urge aprimorá-lo. O que leva tempo e mais capital.

Se o produto está em ordem e a clientela acessível, também mais investimentos serão obrigatórios: possibilidade de venda não é desperdiçável.

Enquanto isso, o associado capitalista, que está deixando de receber a remuneração financeira usual, tem de esperar. Além disso, quase sempre nem recebe pró-labore.

Estou falando genericamente e respeito as exceções. Mas os atritos começam a surgir. Inclusive porque não houve um correto debate inicial. Não se prepararam, nem foram à escola para sócio.

Continuo. Nada disso ocorreu; a empresa desde o princípio fez distribuição de lucros. Estão todos satisfeitos. Será?

Já vi esse filme. Ainda de um lado estão os que trabalham, mourejam no dia a dia. De outro, o que somente aplicou o seu dinheirinho.

Acabam os sócios achando que teria sido melhor o uso de um banco. A memória é fraca!

Ao saber disso, o sócio/capitalista replica: o banco teria é quebrado a empresa.

O sócio/capitalista cogita que melhor apropriaria suas conveniências se tivesse investido em fundos de investimentos. Quem está unicamente preocupado no resultado financeiro, aplica seu capital e sabe quanto receberá em troca.

Muito, pouco, quase nada, ou até perda do capital, é o seu risco pensadamente escolhido. Ou deveria ser, mas isto é uma outra conversa, aqui indevida.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Faltou simplesmente a combinação mais aprimorada, através de um bom contrato, representativo do efetivo trato.

Um exemplo de êxito se encontra em algumas redes de franquia. O estabelecimento do franqueado pertence a um grupo escolhido de sócios, uns com trabalho + capital, outros só com capital. Mas – esse é o pulo do gato – existe a fiscalização e orientação do franqueador, com contrato e tudo.

E a rede vai muito bem, expandindo-se para o exterior.

Antes de sugerir normas para contornar particularidade tão significativa no tecido societário, eis como o executivo bem-sucedido G. Kingsley Ward aconselhou seu filho:

Estou curioso para saber por que Harold e seus dois colegas engenheiros vieram a você com um convite para juntar-se a eles nessa iniciativa. Visto que eles possuem um projeto de engenharia altamente especializada – ............. – pergunto-me como sua perspicácia pessoal nos negócios pode contribuir, especialmente atuando num mercado tão distante do nosso.

Embora não tenha a menor intenção de reprimir, devo admitir que o primeiro pensamento que me vem à mente é em relação ao dinheiro de sua família. Já notou que sempre que surgem novas ideias sobre negócios, as pessoas são peritas em resolver problemas de produção e marketing, no entanto perdem completamente a inspiração na hora de encontrar o capital necessário para fazer seus projetos decolarem? Feitas todas as considerações, ainda é o dinheiro que alimenta o funcionamento de suas vidas.

Depois de demonstrar ao filho que por estar à frente do seu próprio negócio não poderia administrar a outra empresa, continua o pai:

Consequentemente, parece-me lógico que Harold tenha de tocar o negócio, visto que a nova companhia não tem meios de contratar, neste estágio, um administrador profissional qualificado. E agora? O que você tem nas mãos? Harold gastando seu dinheiro enquanto você fica à distância. Poderia ser uma boa combinação, se Harold souber o que está fazendo.

Examina a seguir a situação mais adiantada da futura empresa, esquadrinhando a atividade-posição de cada sócio, para concluir:

Depois vem a tirada clássica a seu respeito: ‘Por que é que aquele desgraçado deveria levar 25 centavos de cada dólar que a gente ganha se ele não faz coisa alguma?’

.......................................

Se você está firmemente decidido a ir adiante, vamos avaliar juntos alguns procedimentos que poderiam reduzir enormemente alguns sofrimentos futuros.

.......................................

Para evitar possíveis desentendimentos futuros, sente-se já com seus três sócios, seu auditor e advogado a fim de que se elabore uma base para calcular suas participações anuais. Nada, a não ser um divórcio, é tão confuso quanto à tentativa de desfazer uma sociedade de trabalho com alguém resolvido a considerar sua participação como sendo bem maior do que seria justo para com os outros sócios.

(Negritos do Autor)

Parece que eu sou totalmente avesso a esse tipo de acordo. Não é isso. Sou contrário, isso sim, a uma contratação sem regras definidas para esse tipo de estrutura operacional.

É briga na certa!

Prometi que cuidaria de dar princípios para uma combinação mais aprimorada, de modo a superar o impasse, e irei cumprir. Isto é, ajudar na constituição desse tipo de empresa. Eis alguns:

– condições deverão ser colocadas em papel;

– projeto realista;

– cronograma detalhado, com definição de executores;

– fluxo e controle financeiros;

– sistemática de pagamento de pró-labore e distribuição de lucros;

– prazo de duração da sociedade;

– sistemática de retirada de sócio e de apuração de haveres.

Somente um contrato bem intencionado, com premissas claras, implementará uma boa sociedade.

RESUMO DO TEMA

UNIÃO DE INTERESSES: TRABALHO + CAPITAL

Sócio capitalista em sociedade de pessoas precisa de cuidado especial
O sócio capitalista deseja ver seu capital remunerado
A empresa, como sorvedora de recursos financeiros, protela distribuição de lucros
Sócio/trabalho se arrepende de pagar parte dos lucros a quem não está sempre
presente
Regras claras em contrato implementam uma boa sociedade

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Próxima edição:

Meu Sócio, Meu Amigo – Como Evitar Atritos Societários – 20 – 11/04/2012

A SOCIEDADE PODE SER ETERNA?

Período de publicação: a partir de 11 de abril de 2012

 

 

 

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