Meu Sócio, Meu Amigo - Como Evitar Atritos Societários - 7 - Líder - Liderança: Como se Exerce // Vale a pena ter Sócio?

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LÍDER – LIDERANÇA:
COMO SE EXERCE

Vou cuidar agora de uma questão muito importante e de cujo entendimento espero que resulte a salvação de muitas sociedades.

O sócio, por sua própria natureza, é um líder ou, ao menos, se considera como tal.

Tenho o cuidado de mostrar, desde logo e como se fora um parênteses à parte central deste TEMA, uma impugnação apresentada por um letrado empresário, na sua fase manuscrita.

Dizia ele que o líder empresário é somente aquele que está à frente da administração. O sócio, titular de quotas ou ações, mas sem o comando, não precisa e nem exerce a liderança na empresa. Não concordando, de pronto, com a afirmativa, apresentei um exemplo favorável à tese ventilada, que é o caso do investidor em ações em bolsa que, usualmente, não participa da administração da entidade e nem precisa ser, portanto, líder, na acepção aqui delineada.

Deixo aberta essa discussão, apenas comentando que, em muitas oportunidades, presenciei atitudes de donos de participações societárias, sem comando, ao menos desejando impor idéias, direcionar atividades. Acatados algumas vezes; em outras, sequer ouvidos.

Volto ao TEMA, no seu ponto central, comentando a posição dos associados em geral.

Não sendo ou não conseguindo se tornar um chefe, ainda que dentro de certos restritos parâmetros, será expelido da organização, por decisão própria ou dos demais parceiros. Talvez não seja a hipótese do participante-capitalista, o que não desfigura a análise aqui pretendida. Vou adiante.

O fundamental é que, enquanto o gerente administra e mantém, o líder inova e desenvolve.

Afinal, é ele quem tem de levar avante a empreitada, muitas vezes contra tudo e contra todos. E isso somente é possível quando se tem a liderança, fruto de grande carisma.

Como afirma o empresário e professor Michael C. Harris, a liderança é o ímpeto que cria o sucesso.

O importante, porém, é como aquilatar ou balancear essa liderança quando são diversos os seus portadores, cada qual demonstrando-a a seu modo.

Em primeiro lugar, é necessário considerar que há vários tipos ou formas de sua manifestação.

Joaquim Castanheira, jornalista, comentando o livro Líder do Futuro, se refere a Peter Drucker, quando este declara que não existem traços de personalidade comuns aos líderes, já tendo encontrado líderes introvertidos e gregários, impulsivos e analíticos, cordiais e arrogantes.

Alguns surgem autoritariamente, passando como um trator sobre as demais pessoas. Outros preferem usar a arma do convencimento como meio de demonstrar o que desejam ver executado.

Alice Carrozo explica que as empresas não querem pessoas autoritárias, porque elas tolhem a iniciativa e a criatividade dos outros.

Já Margaret Thatcher diz que o consenso é a negação da liderança.

Não compartilho integralmente do conceito da Dama de Ferro, grande administradora pública, pois é dever dos líderes chegarem a conclusões comuns, democráticas e compartilhadas. Certamente ela se referiu a alguma situação específica na qual não caberia qualquer titubeio.

Charles Merril, financista americano, entrou para a história por sua ousadia e capacidade de inovação e prognóstico, criando a corretora internacionalmente conhecida, Merril Lynch.

Pois bem, o seu biógrafo, Edwin Perkins, afirma que o businessman cordial era temperamental e ditatorial em casa, mas tratava todos os colegas e amigos com lisonja.

Aproprio-me de interessante análise que me foi presenteada pelo empresário paulista Hamilton de França Leite, ao se referir a artigo meu:

Liderança: quando dois ou mais indivíduos se reúnem para formar uma sociedade, imperiosamente, um deles deve assumir a coordenação do grupo e dos subordinados. Tenho observado que, em muitos casos, este indivíduo tende a agir como o ‘ chefe’ e não como o ‘ líder’. Hoje, salvo na carreira militar e no serviço público, não há mais lugar para o ‘chefe’. Nem mesmo na empresa particular ou na própria família.

O que tem que prevalecer é o ‘líder’, ou seja, aquele que conhece mais, que tem mais experiência, mais discernimento, etc. Por outras palavras, o líder é o que se impõe naturalmente e não por um processo formal.

Na medida em que um dos sócios comece a agir como o ‘chefe’ perante os seus pares e a impor suas idéias e uma cultura estranha, a sociedade estará, irremediavelmente, comprometida a médio ou a longo prazo.

O que vale conjugar é a extensão desse consenso. Quando aplicado com sabedoria traz a riqueza para o grupo.

Além disso, a liderança surge em graus diferentes.

Identifico alguns atos que exteriorizam a capacidade de liderar a empresa:

– ponderação;

– uso de palavras educadas;

– firmeza no atuar;

– senso de união;

– conhecimento do grupo; presença física;

– contatos com dirigentes, gerentes e subalternos;

– ouvir muito, falar pouco, mas sem omissão;

– equilíbrio no ouvir/falar;

– conhecer bem as finanças do grupo;

– método de trabalho organizado;

– orientação técnica dos familiares.

O cuidado na utilização desses atos já identifica o líder. Ocorre que quando um líder não preparado se depara com outro líder surge a incompreensão, mãe da futura divergência.

Com a análise desses tipos de autoridade, os sócios extrairão os dotes necessários para a compreensão mútua, resultando uma maior fidalguia no trato.

Quanto maior o respeito, maior a autoridade. Essa será a decorrência.

Daí é que surgirá o maior líder natural da empresa, por ser aquele que une todos os demais. O grande segredo para os líderes, em escala menor, é todos trabalharem lado a lado.

Que tal nos juntarmos a um premiado Nobel por sua aceitação e escolha?

Luta entre líderes internos desestimula os subalternos, enfraquece a empresa e alegra os concorrentes.

RESUMO DO TEMA

LÍDER – LIDERANÇA: COMO SE EXERCE

O sócio é um líder, a quem cabe levar avante a empreitada

A liderança objeto de confronto cria a divergência

O líder maior une todos os demais

Maior o respeito, maior a autoridade do líder

Liderança não é autoritarismo que tolhe a criatividade

A luta entre líderes desestimula os subalternos, enfraquece a empresa
e alegra os
concorrentes

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VALE A PENA TER SÓCIO?

Defendo insistentemente a conveniência da participação de sócio ativo, ou seja, a existência de uma verdadeira aglutinação de pessoas aplicando-se em volta de um ideal configurado num negócio.

Nem sempre a pessoa se acha capacitada ou possui todos os recursos, seja capital, tecnologia, tino administrativo, etc. Daí a necessidade da procura de alguém para compartilhar a sua aventura.

A convivência humana é saudável fator de crescimento, mesmo quando o fundador tenha aptidão para desenvolver sozinho seu negócio.

Os debates com alguém que esteja, efetivamente, comprometido com o negócio conduzem a resultados mais apreciáveis.

Empregados, consultores e amigos da “casa”, por mais dedicados que sejam, não têm tanto envolvimento como o dono.

Além disso, o ser humano necessita de momentos de lazer, além de ser suscetível a problemas de saúde. E, nesses momentos, somente outro sócio dará melhor atenção ao empreendimento, em razão da sua vinculação pessoal.

Reconheço que não é fácil a escolha de um associado. Mas é preciso insistir na pesquisa. Investir tempo, conversa e muita persistência são requisitos que trazem outros interessados ao convívio. É importante verificar o que o previsível sócio poderá trazer de útil.

No TEMA O nascimento da sociedade para negócios, esclareço, com mais detalhes, os critérios da Lei dos 4Emes, que criei como fórmula de sistematização de toda ação humana no desenvolvimento de qualquer projeto.

Pois bem, o primeiro princípio é o tempo de Maturação, quando ocorre o nascimento da idéia. Aplicando-a ao intento de busca de um sócio, verifica-se que ela tem um objetivo individualista: onde e como o sócio poderá me ajudar? Somente mais adiante esse egoísmo é transformado em um sentimento comunitário: o que, como sócio, posso fazer ao outro?

A transcrição de algumas das respostas oriundas da Sócio-Pesquisa apresenta rico manancial sobre a serventia de sócio. Os quesitos, em sua numeração original, e correspondentes manifestações assim se apresentam:

– 02) – O que é ou para que serve um sócio?

– 17) – Vale a pena ter sócio?

Para dividir responsabilidades.

– Sim. Principalmente quando os sócios têm áreas definidas de atuação.

– Dividir responsabilidades para vencermos.

– O sócio é um companheiro e serve para compartilhar idéias, capital e ações

comunitárias/societárias.

– 1) Dividir tarefas. 2) Como amigo/crítico/incentivador.

– Vale muito ter sócio, pois temos sempre alguém para enaltecer as conquistas e 
para
amenizar as derrotas. Vencer sozinho diminui consideravelmente seu 
sabor.

– Trazer capital, dividir tarefas, dividir preocupações e dar apoio às decisões.

– Para fazer sinergia, somar potencial e dividir riscos.

– Complementar deficiência (profissionais, financeiras, tecnológicas, etc.).

– Para em parceria aumentar a capacidade empresarial.

Fica evidenciado, pela variedade de aspirações coletadas, que o agrupamento societário é fundamental, merecendo, como faço neste livro, estudos apropriados visando ao fortalecimento da sociedade.

RESUMO DO TEMA

VALE A PENA TER SÓCIO?

Validade da aglutinação de pessoas em volta de um ideal de negócio

Convivência humana é fator de crescimento

O dono se envolve mais do que o empregado, consultores e amigos da 
“casa”

Necessidade de momentos de lazer ou hipótese de doença encontra
substituto com
desejo comum

Coletânea de respostas aos quesitos 2 e 17 da Sócio-Pesquisa
fundamenta o
fortalecimento da sociedade como instituição

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Próxima edição:

Meu Sócio, Meu Amigo - Como Evitar Atritos Societários - 8 - 11/12/2011

- Requisitos inerentes a um sócio

Período de publicação: a partir de 11 de dezembro de 2011

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