ISRAEL, UMA VISÃO PESSOAL – Por Rinaldo Carneiro (*).

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Categoria: Dicas e Fatos

Lidar com a existência de Israel, seus problemas, e, ante eles tentar ser imparcial sempre foi difícil para nós. Amos Oz partidário da coexistência de dois estados, autor do recente e excelente “Judas” (que li e recomendo), declarou em entrevista que face ao ataque indiscriminado de foguetes que levou pânico, insegurança, revolta, destruição e algumas mortes apoiava o revide ao Hamas com suas milhares de vitimas. Sem ter relação com esse fato li em algum lugar que o laureado escritor francês, nascido na Argélia, Albert Camus declinou de assinar um manifesto de intelectuais que considerava legítimos até atentados terroristas na guerra da independência da Argélia, justificando que sua mãe ainda morava lá.

Não tenho convicções religiosas, respeito quem as têm, mas sou consciente de uma identidade judaica construída desde cedo pelo ambiente familiar, afinidades culturais e uma grande curiosidade a respeito do passado e da história Por outro lado eu tenho a certeza que aqui onde vivo é o meu lugar, onde raízes profundas estão fincadas e de onde ramos certamente se multiplicarão.

A relação de três milênios entre o povo judeu e sua terra prometida sempre foi conflituosa. Segundo o ferino humor judaico tudo começou com Moisés que era gago. Ao descer do monte Sinai anunciou ao povo reunido o nome da terra maravilhosa que lhes fora destinada: Ca, Ca, Ca. e o público ajudou – Canaã. Na verdade ele queria dizer - Canadá.

Os conflitos entre judeus e árabes na Palestina já duram mais de um século. Apesar de sempre ter havido um pequeno núcleo de moradores urbanos, jovens judeus da Europa Oriental de ideologia socialista, fugindo de perseguições e discriminações, começavam a chegar e construir comunidades de agricultores no fim do século XIX. Crescendo, prosperando e ocupando espaços, pouco a pouco desencadearam reações hostis da população árabe estabelecida naquelas regiões. Em 1948, com 500.000 indivíduos e apoio internacional foi criado em parte do território o moderno Estado de Israel, aspiração milenar do povo judeu espalhado pelo mundo. Seguiu-se a invasão pelos exércitos dos países árabes vizinhos, a vitória israelense e o armistício. Durante a guerra populações árabes, amedrontadas ou intimidadas, abandonaram suas aldeias e se refugiaram nos países vizinhos. Ao fim do conflito esses refugiados não tiveram permissão para retornar aos seus antigos lares. Com os seus descendentes contam vários milhões e uma boa parte sobrevive até hoje em precários campos improvisados.

O Estado de Israel cresceu extraordinariamente, acolheu de braços abertos milhões de imigrantes judeus. É hoje uma nação rica e próspera com padrões sociais, culturais e científicos de primeiro mundo e senhora de uma poderosa máquina militar. Novas guerras e novas vitórias trouxeram para seu controle grandes contingentes de árabes palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Populações hostis que questionam a legitimidade, aspiram e lutam pela extinção do Estado Judeu. É uma luta inglória: Israel com seus seis milhões de habitantes e aliados poderosos é um fato consumado e deverá permanecer onde está, mas apesar dessa realidade, eles continuam a lutar com os meios ao seu alcance. Sempre vigilantes as forças de segurança de Israel respondem com energia. Tudo isso hoje é transmitido para todo o mundo ao vivo e em cores pela CNN e pela Internet.

Nessa história toda os árabes-palestinos têm sido os grandes perdedores: Pobres, oprimidos por Israel, conduzidos por lideranças frequentemente corruptas, incompetentes ou fundamentalistas, abandonados ou traídos por seus irmãos muçulmanos. As inúmeras tentativas para um acordo de paz, patrocinadas por grandes potências têm sistematicamente fracassado pela má vontade ou intransigência de uma ou das duas partes. Apesar de todos os sofrimentos e perdas de vidas de ambos os lados, a paz parece cada dia mais distante e difícil. Acredito que a região necessita do surgimento de uma liderança honesta, carismática com grandeza moral, um Gandhi ou um Mandela, para propor um acordo justo e aceitável para as partes envolvidas. Estou convencido também da dificuldade de um dia superar o ódio, violência, desconfiança, intolerância, discriminação que envenenam a relação de duas populações semitas condenadas pela história e geografia a partilhar um pequeno pedaço da terra.

Conta-se que alguém aproximou-se de Deus e perguntou: Senhor, afinal quando terminará o conflito entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte e Ele respondeu: Meu filho, não será para os seus dias. Perguntou depois: E quando terminará o conflito entre judeus e árabes na Palestina e Ele respondeu: Meu filho, não será para os meus dias.


(*) Janeiro, 2015 - Dr. Rinaldo Carlos Carneiro, médico, nascido em Belém do Pará. Autor do livro A árvore do conhecimento – Reflexão sobre as crenças – Ed. Quartier Latin – Ed. 2009

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