A FÓRMULA DE NAKANO PARA A ECONOMIA – Luis Nassif

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Categoria: Dicas e Fatos

O economista Yoshiaki Nakano tem uma peculiaridade. Fala pouco, quando escreve é objetivo, não dá voltas retóricas – tão ao gosto dos economistas de papel jornal – e invariavelmente foca apenas o essencial.

Não é tarefa trivial nas discussões públicas da economia. Primeiro, porque o essencial não costuma ser visível aos olhos. Depois, porque o marketing do economista de jornal obriga a volteios irrelevantes e repetição de mantras palatáveis ao público – mesmo que o economista não consiga estabelecer relações claras de causalidade.

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Para Nakano, sem a retomada do crescimento não haverá qualquer apoio às políticas implementadas. A pedra de toque para a reversão do atual quadro de estagnação econômica, e para é o ajuste fiscal.

Diz Nakano: há circunstâncias em que se o ajuste for radical (com cortes de despesas e sem aumentos de impostos), bem coordenado com outras medidas de ajuste, o resultado poderia ser uma retomada quase imediata do crescimento.

Segundo Nakano, essa estratégia – denominada de “multiplicador keynesiano negativo” – foi desenvolvida por alguns economistas alemães e já teriam comprovação em episódios concretos.

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Iniciaria com ajuste fiscal de mais de 3% do PIB, ou forte o suficiente para ser percebido como mudança de regime fiscal. O ajuste seria precedido por desvalorização cambial e acompanhado por uma política monetária ativa, com redução da taxa de juros. O corte de despesas correntes neutralizaria os efeitos inflacionários da combinação câmbio-juros.

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O Banco Central teria que mudar radicalmente sua orientação, de tratar a âncora cambial como instrumento ativo de estabilização de preços. A política cambial passaria a ser controlada pelo Executivo.

Além disso, o BC teria que promover reformas fundamentais nas suas regras operacionais. Entre elas, o fim da Selic e da indexação dos ativos financeiros à taxa diária de juros. Com isso, recomporia a eficácia da política de juros, desobstruindo o principal canal de transmissão para controlar a inflação.

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Sobre a arquitetura econômica de Nakano há a necessidade de se sobrepor a arquitetura política. Com a guerra política em andamento e o governo fragilizado pelo terceiro turno, qualquer desarranjo pontual na economia seria potencializada até o limite do stress.

No entanto, o roteiro de Nakano é relevante por dimensionar o tamanho dos problemas atuais.

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Esses problemas serão agravados pelo fim do efeito commodities, que turbinou a economia nos últimos dez anos.

Fala-se muito na prevenção da doença holandesa – o efeito da explosão de exportações de commodities atraindo muitos dólares e apreciando o câmbio – quando aumentar a produção do pré-sal.

A doença holandesa já aconteceu, aqui e em outros países, como a Austrália.

Por lá, conforme observou o economista Paulo Gala, o boom dos preços do minério de ferro apreciou o câmbio, desalojou exportações de manufaturados, houve aumento real de salários , expansão do setor de serviços e um boom imobiliário.

Esse período acabou.

Com a queda das cotações de commodities, deverá ocorrer um movimento inverso no câmbio, reequilibrando os preços relativos.

O mesmo acontecerá com a economia brasileira. Que o terceiro turno termine logo, para permitir ao país enfrentar seus fantasmas reais.

Coluna Econômica - 10/12/2014

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