COMPRAR IMÓVEL AGORA? Por Nelson Parisi Júnior (*)

Imprimir
Categoria: Dicas e Fatos

As renitentes suposições sobre a existência de bolha imobiliária no Brasil desencadeiam análises equivocadas sobre a realidade do mercado imobiliário. Uma das mais divulgadas por especialistas é a de que o momento não é adequado à aquisição de imóvel. Seria vantajoso esperar, pois os preços vão cair. Nada mais falso. Primeiro: não há bolha no Brasil; segundo: sim, comprar imóvel agora é um bom negócio; e terceiro: os preços não vão se amainar.

Quem ampara seus argumentos para a bolha brasileira no episódio ocorrido nos Estados Unidos em 2008 demonstra profundo desconhecimento sobre o mercado imobiliário. Aqui, no Brasil, os bancos são criteriosos na concessão de crédito. Na média, financiam 65% do valor do imóvel. Nos EUA e em alguns países da Europa, esse percentual atingia 120%. Mais: de acordo com a Caixa Econômica Federal, banco que concentra cerca de 70% de todos os financiamentos imobiliários do País, mais de 70% dos proponentes buscam crédito para adquirir sua primeira moradia. Não há, portanto, especulação generalizada, ao contrário do que muitos defendem.

Outro fator amplamente divulgado pela imprensa, que não deixa dúvidas sobre a não existência de bolha no mercado brasileiro, refere-se ao percentual de participação dos financiamentos com relação ao PIB. Vejamos que, em países que tiveram o preço dos imóveis reduzidos, em função da bolha, o total do crédito imobiliário superava 50% do PIB - em alguns casos, passava de 130% do PIB. Nos EUA, em 2006, um ano antes de os preços começarem a cair, a relação era de 79% do PIB. No Brasil, esse número é hoje de aproximadamente 8,1% do PIB.

Quem incorpora, constrói e vende imóveis sabe que seus preços são flutuantes, e são muitas as variáveis que os delineiam. No tocante à realidade da cidade de São Paulo, os terrenos estão cada vez mais escassos. Com isso, imóveis que não se encontravam à venda são comprados com a finalidade de formar áreas para incorporação. Assim, os proprietários, cientes da falta de oferta, pedem por eles cifras muitas vezes descoladas da realidade, o que exerce impacto direto no custo global do empreendimento.

A falta de mão de obra qualificada é outro percalço enfrentado pelas empresas do setor. Os bons profissionais são contratados com salários cada vez maiores. Isso, somado aos preços dos materiais de construção e alguns insumos, tem elevado os custos de construção acima da inflação. Essas flutuações, embora notáveis, não devem ser consideradas preocupantes. Se calcularmos o aumento do preço dos imóveis na última década e descontarmos a variação do INCC (índice Nacional de Custo da Construção), o aumento real foi de 55%.

Ainda em São Paulo, está sendo votada pela Câmara Municipal a alteração das regras de uso do solo e, se aprovada, vai encarecer ainda mais a construção de empreendimentos novos, devido a questões como a limitação de número de vagas de garagens, a fixação de gabarito mais baixo para os empreendimentos, a fixação de quantidade mínima de unidades por empreendimento, dentre outras. (**)

Mesmo diante desse cenário, há quem tente atribuir a ascensão dos preços à ânsia do mercado em obter mais lucros. Ledo engano. Desde a abertura de capital de grandes empresas do setor, em 2007, até o ano passado, a média de margem líquida tem-se mantido estável na casa dos 15%, com leves oscilações para baixo ou para cima. Dado a esse emaranhado de variáveis, é praticamente improvável que o preço dos imóveis novos caiam. Não há margem para isso. A boa notícia é que não há previsão de significativas altas como as havidas nos últimos anos. Se aumentar, será em menor grau, acompanhando a variação da inflação.

Podem existir casos atípicos de redução de preços, que serão ajustados em função de momentos de maior oferta, em determinados bairros ou microrregiões, ou mesmo de liquidações momentâneas de incorporadoras. Por isso, voltando à pergunta que intitula este texto, cabe a resposta: sim. Caso esteja com dinheiro para adquirir um, não espere mais. O País amargou anos e anos de uma política habitacional engessada e defasada. Hoje, não há razão para temer realizar o sonho da casa própria. Não vale a pena postergá-lo.

(*) PRESIDENTE DA REDE SECOVI DE IMÓVEIS – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

(**) Nota do Portal. Este interessante artigo foi elaborado

antes da aprovação da lei municipal nº 16.050/2014

tendo sido publicado n’ O Estado de S. Paulo, 2| Imóveis 1 | 18, de maio de 2014

ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

Contato

Nívio Terra - Advogado de Negócios e Consultor Pessoal
nivio@PortaldoSocioedaSociedade.com.br
nivio@terracpe.com.br

Credite a fonte

O CONTEÚDO DO PORTAL DESPERTOU INTERESSE, COPIE, MAS CREDITE A FONTE. SUA ÉTICA SERÁ O FISCAL DESTE PEDIDO.
Copyright 2011 COMPRAR IMÓVEL AGORA? Por Nelson Parisi Júnior (*) - Joomla