OS DESAFIOS DE 2015 – Por Luis Nassif

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Categoria: Dicas e Fatos

Seja quem for o próximo presidente da República, 2015 não será um ano de fácil digestão.

Do ponto de vista macroeconômico, há uma série de problemas exigindo soluções que são conflitantes entre si.

Há dois problemas prementes - a deterioração das contas externas e a inflação – e terceiro que são as restrições fiscais, depois do festival de isenções não planejadas dos últimos anos.

O primeiro exigirá um reajuste do câmbio em um ponto qualquer do futuro. Esse reajuste impactará a cadeia de preços – não apenas os produtos finais mas a extensa gama de produtos intermediários integrados na cadeia produtiva de diversos setores industriais.

A esse impacto se somará o reajuste represado das tarifas públicas.

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O governo tem uma bala única para combater a inflação – o aumento da taxa Selic.

A economia já caminha em marcha lenta e há um refluxo na oferta de crédito pelos bancos. O aumento da Selic terá impacto direto sobre o tamanho da dívida interna líquida, como proporção do PIB. E a economia em marcha lenta terá impacto sobre a arrecadação fiscal.

Haverá algum ganho fiscal com a desvalorização cambial devido ao volume de reservas em poder do Banco Central. Mas não haverá como fugir de um aperto fiscal, se se quiser interromper a elevação da dívida pública como proporção do PIB.

Tudo isso em um quadro em que o emprego, salário e renda começarão a desacelerar em função da perda de vitalidade da economia e especificamente da indústria de transformação.

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Em outros tempos, o fantasma da hiperinflação e do descontrole fiscal era argumento suficiente para impor medidas macroeconômicas drásticas goela abaixo da opinião pública.

Hoje, não mais.

Longe se vão os dias em que a única medida de desempenho governamental era o PIB. Agora tem-se um ativo nacional valiosíssimo – a taxa de desemprego – que entrou definitivamente na avaliação de políticas públicas e a qualidade dos serviços públicos.

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Todos esses desafios terão que ser encarados pelo próximo presidente.

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A candidatura Dilma tem uma desvantagem, uma vantagem e uma incógnita.

A desvantagem é o inédito grau de desgaste junto ao empresariado.

A vantagem de Dilma é a continuidade, o fato de não começar um governo do zero.

A incógnita é sobre o comportamento da presidente, se reeleita. Entenderá as fragilidades do primeiro governo e tratará de acertar o rumo; ou se sentirá mais fortalecida para manter ou ampliar o estilo voluntarioso?

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Em relação a Aécio Neves e Eduardo Campos, há um conjunto maior de vulnerabilidades. Quem for eleito enfrentará uma herança difícil tendo que administrar todos os problemas da transição, da montagem do Ministério às alianças políticas e a falta de ascendência sobre os movimentos sociais. E, com a crise à vista, correndo o risco de frustrar expectativas no primeiro ano.

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Por todos esses riscos em jogo, provavelmente a política econômica não variará muito, independentemente do vencedor: será cautelosa, empurrando-se com a barriga até que a recuperação da economia mundial traga uma solução externa.

Enfim, um jogo para gente grande. Mas, até agora, o que se vê é apenas uma troca de acusações e de críticas entre os pré-candidatos, sem um discurso sequer que indique uma linha estratégica de ação.

Coluna Econômica - 09/5/2014

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