O Filho do Camponês

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Categoria: Dicas e Fatos

(História ilustrativa das diferenças entre pais e filhos).
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Jean-Pierre Chabrol é um romancista que se tornou célebre por seu talento de narrador.
A maior parte de suas histórias se passa em Cevennes.(*)
Tradução de Regina Terra, sob orientação da Profª Leda Hungria
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Fim de Setembro de 1956, após a feira, Adrien Teisser, da Chácara de Baumes, disse a seu velho :
-Papai, eu não quero levar a mesma vida de embrutecido que você, entre suas cabras e seu jardim. Você sequer tem rádio, você jamais foi ao cinema. Quanto a mim, eu sei o que é a vida, eu fiz meu serviço militar. Eu vou viajar para Paris. Levarei a vida de um civilizado.

Ovelho Teisser de Baumes não é tagarela nem emotivo. Ele esboçou um levantar de ombros ao qual seu filho respondeu com esta frase soberba :
-Além disso, estão contratando empregados na Renault !

Cada vez que eu passava pelo Vale de Baumes, o velho pastor de cabras me dizia :
- “Você deveria ir ver meu Adrien. Nas cartas, ele se mostra contente, mas, talvez, eu não leia bem!
- Diga a ele que passe em minha casa em Paris. Escreva-lhe.

Adrien nunca veio. Talvez porque não tivesse coragem. Quando se deixa a sua aldeia para “viver” em Paris, a gente quer “triunfar”. Então, eu dei os primeiros passos mas, na ponta dos pés, como para um doente.
Adrien é um soldador em série. Faz dezessete pontos de solda de um lado do carro. Ele o vira, faz outros dezessete, a carcaça seguinte já está lá...

Depois de nove horas, Adrien sai da usina e se mete com os cotovelos junto ao corpo, no metrô Marcel-Sembat. Lá, sua cabeça balança, perdida entre as outras. O aperto o mantém em pé. Ele não pode se assoar ou se coçar. No Trocadéro, Adrien corre novamente para saltar num ramal de direção Nation, mas é principalmente nos corredores intermináveis da estação Denfert-Rochereau que ele bate os recordes. Perder seu trem significa esperar trinta minutos na plataforma da linha de Sceaux. Na Palaiseaux-Villebon, ele solta sua bicicleta acorrentada lá desde o amanhecer. Pedala 6Km. Está em casa. Um barracão de subúrbio, que construiu com suas mãos.

Em 1957, Adrien Teisser casou-se com uma vendedora – a verdadeira pequena parisiense, que revolucionaria o Vale de Baumes.
O segundo bebê tornou intolerável a vida na pensão e além disso a jovem mãe tinha abandonado seu emprego.

Adrien fez empréstimo para comprar o terreno e se dedicou inteiramente às fundações, nos domingos e feriados.

Na primeira visita que eu lhe fiz, ele tinha assentado o ladrilho do chão. Estava fazendo os tijolos. Para economizar, toda a família acampava nos porões. Eles sonhavam alto : adega, garagem, e um belo espaço para o tambor de óleo que teriam...
Paris não se fez num dia...

Dois anos mais tarde, o aquecimento a óleo não estava instalado, mas o barracão estava quase pronto. Adrien tinha televisão e um carrinho popular. Estava cansado.
- “No ano que vem, espero enfim ir passar minhas férias no campo, em casa de meu pai.”

Eu o encontrei no último verão, na Chácara dos Baumes, realizado. Guardava as cabras.

Ele disse ao Pai Teisser:
- Sabe, Papai, logo minha casa estará terminada. Tenho o meu carrinho. Tenho tudo de que preciso. Só penso numa coisa ! Minha aposentadoria. Assim que meus meninos crescerem, volto à aldeia e me instalo aqui. Um rebanho de cabras ... e você me entende, ficar à vontade... viver enfim !

Oh! O velho de Baumes não se vangloriou, muito esperto e muito amoroso também.
-Bem, meu filho, como quiser. As cabras estão sempre aqui, elas te esperam, estas ou outras. E a montanha não sai do lugar facilmente.


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JeanPierre Chabrol – “Contes d’outre temps”, Plon, 1969.
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(Você já leu? Chegou no dia 21/01/02)
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