CARTILHA AO JOVEM ADVOGADO - DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL ®

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Categoria: Dicas e Fatos

CARTILHA AO JOVEM ADVOGADO – DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL ®

Nívio Terra (*)

PREÂMBULO

Durante grande parte da minha vida na área do direito, atuando, especialmente, como advogado de negócios, tive o privilégio de contar com o auxílio de jovens, mulheres e homens.
Nessas oportunidades, procurei conduzi-los na habilitação profissional, desde como simples estudantes, mais adiante como estagiários e, a seguir, já advogados.

Acho que consegui esse intento, pela boa quantidade de colegas que atuam, com a melhor qualidade, em escritórios particulares, em sociedades de advogados ou em empresas.

Além disso, a enorme afluência de jovens advogados ao mercado concorrente de trabalho torna obrigatória a análise de como exercer a profissão com dignidade, para crescente valorização do conceito da ADVOCACIA.

Utilizo estas informações também quando sou contatado para debates em privilegiados escritórios que mantêm jovens na área e que necessitam de uma orientação pessoal, assim como em faculdades de direito que buscam o melhor desempenho para o seu corpo discente.
E, é em homenagem aos jovens que descrevo aqueles conceitos que passei adiante, alguns deles acrescidos, recriados, ou aprimorados pelo advogado Marcelo Terra.

DIRETRIZES

Divido a atenção profissional em três circunstâncias:

1 – Posição Pessoal
2 – Atuação frente ao Cliente
3 – Entendendo o Julgador

1 – POSIÇÃO PESSOAL

1.1 - Advogado bom é o que estuda sempre e estudo significa ler, no mínimo, duas vezes o mesmo texto, com a devida atenção que induz à sua compreensão.
1.2 - A leitura de textos legais deve ser diária.
1.3 - A não existência de lei específica não serve como desculpa para a falta de orientação ao Cliente; para tanto, existem os princípios gerais do direito.
1.4 - Mensagem a Garcia, como título ou expressão resumida de conhecida história, onde o mensageiro, durante a guerra e atravessando as linhas inimigas, cumpriu a sua missão, significa que o trabalho deve ser desenvolvido com atitudes diretas, expressivas e sem titubeios para ser atingido o alvo fixado.
1.5 - O trabalho deve ser feito, quando assim previsto, em equipe e com a efetiva participação das pessoas que nele estiverem envolvidas,com espírito integrado para ser obtido o sucesso.
1.6 - Fechar o círculo exprime a necessidade de que os assuntos e suas soluções devem ser levados ao conhecimento de todos os envolvidos ou interessados, sem cobrança ou pedido especial.
1.7 - Organização mental da cabeça, da mesa, do arquivo de papéis e da vida pessoal são condições essenciais para um trabalho produtivo.
1.8 - Seja Advogado 24 horas por dia, 7 dias na semana e 365 (ou 366) dias por ano.
1.9 - O Código Civil deve ser “livro de cabeceira”.
1.10- Advogado vende tempo e conhecimento; utilize esses insumos com inteligência.
1.11- Erro não se justifica, conserta-se.
1.12- Não procure culpado e, sim, soluções.
1.13- O princípio da boa-fé está esculpido no Direito e é referendado na Justiça; cultive-o.
1.14- Cuide do seu intelecto: escreva artigos, monografias; participe de simpósios; mas cuidado com o “turismo” inconseqüente; traga aos colegas o resultado do aprendizado.
1.15- Na redação de qualquer trabalho, tenha sempre um começo, um meio e um fim.
1.16- Cultive a língua portuguesa; abra o dicionário com freqüência; utilize a sinonímia correta e não seja pernóstico no escrever.
1.17- Conte os prazos judiciais, contratuais e de contato com o Cliente pela metade. Sobrará tempo para aprimorar a argumentação e corrigir os enganos.
1.18- Atue com paixão controlada pela razão.
1.19- Utilize as técnicas modernas, usando o computador, a Internet e demais meios atualizados e eficientes de comunicação.
1.20- Vivencie o Direito, contatando e se aprimorando com os mais doutos, o que não é demérito.
1.21- Localize as novas áreas de atuação da advocacia, estendendo o seu estudo e preparando-se para novos enfrentamentos.
1.22- Abra e mantenha arquivo de dados, casos e técnicas utilizadas, ou participe do repertório já existente no seu grupo de trabalho. Acesse-o para alimentação e estudo freqüentes.
1.23- Acompanhe os “usos e costumes” na área jurídica, ao menos na circunscrição em que exerça sua atividade.
1.24- Em reuniões profissionais, prestigie preferencialmente o seu Cliente, demais interessados presentes e, inclusive, colegas, deixando para outra oportunidade suas ligações telefônicas e outros contatos, ainda que momentâneos. Situações extremadas devem ser justificadas .
1.25- Respeite o colega “ex-adversus”; não se equipare a ele em caso de eventual ofensa pessoal, leve o assunto à OAB ou à Justiça.

2 – ATUAÇÃO FRENTE AO CLIENTE

2.1- Responda sempre à chamada telefônica do Cliente, dando-lhe pronto atendimento.
2.2- Chegue às reuniões profissionais com cinco minutos de antecedência e nunca com um minuto de atraso. Exceções devem ser comunicadas, preferencialmente, com antecipação.
2.3- A consulta deve ser bem entendida antes da formulação da resposta. Em caso de dúvida, seja sincero com o seu Cliente, não apresente solução apressada. Estude e volte. Ele o respeitará mais.
2.4- Minutas prévias, tanto de peças processuais como de contratos, devem ser apresentadas para análise do Cliente, especialmente em relação aos fatos, que ele conhece melhor do que ninguém.
2.5- Firmeza de atitudes, mas nunca arrogantes.
2.6- “Não sei”, frase no mínimo indelicada. “Vou estudar”, significa respeito.
2.7- O Cliente aprecia ser informado. Não espere que ele peça notícias.
2.8- Aponte o problema, sugerindo soluções, e não simplesmente apresente a questão. Mostre os riscos, mas procure concluir pela melhor solução. Estando impossibilitado de resolver o assunto, coloque-se à disposição para localizar outro profissional ou deixe o Cliente à vontade para esse fim.
2.9- Trate o Cliente como se fosse um “bebê”, a fim de que ele se sinta seguro.
2.10- Mantenha postura institucional e de respeito perante o Cliente. Lembre-se: o direito é dele! E os riscos, também!
2.11-Sigilo profissional rigoroso; por vezes, até perante os colegas, a fim de não constranger o Cliente na presença destes.
2.12-As explicações ao Cliente devem ser feitas com didática e clareza.
2.13-Adaptar-se à cultura do Cliente, sem perder a personalidade própria de Advogado, é de fundamental importância na atividade profissional.
2.14-Relacionamento harmonioso com os membros do Departamento Jurídico interno do Cliente, é o que este espera em benefício da empresa.
2.15-Correção e clareza dos lançamentos no “time sheet” (controle do tempo despendido com assunto do Cliente).
2.16-Solicite notícias devidas pelo Cliente, antes mesmo que este as ofereça; essa presteza lhe transmite confiança em relação ao seu Advogado.
2.17-Atenção na transcrição de dados fornecidos pelo Cliente; erros de elementos por ele informados ou conhecidos podem arruinar obras-primas de redação.
2.18-Má notícia não se transmite ao Cliente no final da semana ou véspera de feriado, para se evitar sofrimento demasiado e pela dificuldade em refletir sobre a extensão do dano. Sempre que possível, a comunicação deve ser acompanhada com explicações sobre as possibilidades de reversão do eventual prejuízo.
2.19-Nunca diga ao Cliente: “você perdeu a causa”, ou “nós ganhamos a causa”. Ambas expressões são, no mínimo, antipáticas: pela irresponsabilidade ou pela fanfarronice de quem as usa. Na verdade, o Julgador é que conclui pela procedência, ou não, do pedido do Cliente.

3 – ENTENDENDO O JULGADOR

3.1- Lembre-se: o Advogado exerce função essencial à Justiça, sendo indispensável à sua administração, o que significa que é parte integrante desse complexo. E por ela, Justiça, deve, também, zelar.
3.2- Não faça comentários desairosos sobre o Julgador. O descrédito deste reduz a majestade da Justiça.
3.3- Não culpe o Julgador por decisão que não atenda os interesses do Cliente.Use dos recursos legais.
3.4- Não culpe a Justiça pela demora no andamento do processo; faça a sua parte, procurando agilizar o caso com inteligência e presteza no cumprimento das tarefas que cabem ao Advogado.
3.5- O Cliente espera que a “sua” verdade seja levada ao Julgador pelo Advogado, com convicção técnica e lógica.
3.6- Exponha com clareza e articuladamente os seus argumentos.
3.7- A introdução do petitório já deve demonstrar o pretendido.
3.8- A argumentação pode ser emocional, sem ser ofensiva a ninguém.
3.9- Utilize argumentação baseada na lei e nos princípios gerais do direito.
3.10-Não menospreze a cultura do Julgador com argumentos pueris.
3.11-Procure obter a participação de membros do judiciário em evento público onde se debata assunto jurídico de interesse da comunidade.
3.12-Ainda que na noite anterior tenha participado de um futebol “soçaite” na companhia de um Julgador, trate-o com dignidade e respeito, deixando de lado a teatralização de pretensas amizades íntimas: na audiência ele representa a Justiça.
3.13- Esteja, ou não, acompanhado das partes, no âmbito judiciário trate o Julgador por “sua excelência” ou semelhante.
3.14- Sensibilize o Julgador no sentido de interessá-lo na busca de solução jurídica inovadora.
3.15-O Julgador não tem tempo de ler argumentos iguais e repetitivos; o pedido tem a sua veracidade reduzida.
3.16- Não se iguale a um Julgador autoritário ou pretensioso: faça valer o seu direito perante o órgão superior e/ou utilize a OAB.

CONSIDERAÇÕES FINAIS.

O exercício da advocacia durante mais de quarenta anos me tornou um

eterno aprendiz do aprendizado, ciente de que sempre sei menos do que

penso saber,estando pronto a receber lições de vida e de ensinamento

técnico. Por essas razões, aceito quaisquer críticas e contribuições,

mas espero que esta oferta, aos jovens colegas, os ajude na vida

profissional e na busca do melhor Direito e perfeita Justiça.

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(*) Nívio Terra, Advogado de Negócios e Consultor Pessoal
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Você já leu? Chegou no dia 31/07/02)
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