A SÍNDROME DO EMPRESÁRIO: A SOLIDÃO – Por Nívio Terra (*)

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Categoria: Coaching


ESTUDO SOCIOLÓGICO

...efeitos da liderança.

INTRODUÇÃO

...tudo conspira contra nós: a crise, a crise...

É costumeiro nos queixarmos de que agora as coisas são mais difíceis de se fazer; os tempos atuais já não são mais "aqueles"; tudo conspira contra nós: a crise, a crise...

Enquanto isso, muitos crescem e outros desaparecem.

No mundo dos negócios não é diferente. O empresário, em especial nessa época histórica da globalização do mercado, padece desse mesmo sentimento, referindo-se sempre ao passado benfazejo; feliz ele era e não sabia...

Não obstante, a todo instante vemos jovens empresários, na idade e no intelecto, encontrando seu feliz destino, tornando-se líderes no setor.

Poucos percebem que as diferenças entre o passado e o presente são contingências da idade de cada um, assim como a evolução da ciência, da arte humana, do aprimoramento da tecnologia, do surgimento de novas invenções e técnicas. O cérebro humano é poderoso, ilimitado; basta ser estimulado para conceber novos conhecimentos. Já foi dito que o

"impossível é o possível ainda não atingido".

Essas reflexões nos levam a examinar a posição que muitos empresários tomam de se autolimitarem em muitas situações, prejudicando-se a si mesmos e à sociedade de que participam.

Um dirigente profissional, quando inicia suas atividades profissionais, controla tudo, suplantando com vivacidade qualquer obstáculo. Mas, à medida que vai crescendo, seja em idade cronológica, seja em seu negócio, dúvidas irresolúveis o vão angustiando, deixando-o sem ânimo, transformando-o num quase ermitão, ainda que urbano.

O romancista Italo Calvino, em seu livro "A Especulação Imobiliária", fez um de seus personagens concluir , sobre o empresário que contratara e com quem tivera prejuízo, que,

"por trás da impressão de brutalidade e teimosia que Caisotti - o tal empresário - lhe comunicava, era enorme a carga de indecisão e de fraqueza que carregava aquele homem só e ignorante, inimigo de todos".

É sabido que romance é uma história fantasiada da vida humana. O livro de Calvino trata de um "homem só e ignorante", mas o exemplo se adapta a qualquer ser humano, até mesmo aos mais letrados e evoluídos.

Festejado empresário, respeitadíssimo em suas lides de negócios, em entrevista a uma revista do ramo, afirmou que seu maior sofrimento, durante as tratativas com seus irmãos, "foi a solidão".

Essa recordação de uma época de azedume vivencial, de alta valia, deveria ser considerada pelos grandes doutrinadores e gurus empresariais; ousamos dizer que uma expressão verbal com tal qualidade vale mais que muitos compêndios, até mesmo em relação àqueles estrangeiros traduzidos para nossa língua que, muitas vezes, têm reduzida aplicabilidade ao nosso país.

Exemplos outros podem ser colhidos e relatados, mas não é aqui matéria relevante, pois surgem a todo instante, constituindo-se, assim, em presunção de ser fato notório.

CONCEITO

...conjunto de sintomas específicos...

Diante de tais constatações, costumamos conceituar essa solidão como a

Síndrome do Empresário.

Para tanto, nos baseamos nas palavras do Dr. Morris Fishbein, ao definir que "síndrome é o conjunto de sintomas específicos que se apresentam regularmente, sempre na mesma combinação, associados a determinada doença". (Enciclopédia Familiar da Medicina e Saúde).

Ajudou-nos, também, a descrição de Robert E. Rothenberg:

"conjunto de sintomas que, ao aparecerem juntos, servem para definir ou caracterizar uma moléstia". (Enciclopédia Médica Ilustrada).

É certo que utilizamos esse vocábulo de origem médica sem considerá-lo como uma perturbação da saúde no seu mais estrito sentido, mas tão somente como simples incômodo físico-mental. E, ao complementar a expressão como sendo relativa ao empresário, recorremos ao esclarecimento prestado pelo Dr. Morris Fishbein quando ensina a conveniência de se usar qualificativo próprio.

ABRANGÊNCIA

...como líder, é um forte...

Mesmo sabendo da extensão dessa síndrome, certos empresários não percebem estarem nela envolvidos, já que chega sorrateiramente e não como um trovão violento que apavora de pronto. E, assim, como não é precocemente identificada vai levando, até mesmo um líder, a situações desastrosas para ele e para aqueles que o cercam.

A síndrome começa com uma introversão na convivência familiar e no relacionamento com os sócios. Quantas vezes, sócios, sem aparente divergência, não se comunicam espontaneamente, anos a fio, desembocando numa separação societária. Perdem aquele

"companheirismo, que é a solidariedade até nas incoerências", como nos afirmou certa profissional de área hoteleira.

Cabe aqui explicar como empresário desprevenido atinge tal situação. Para tanto, costumamos representar suas atividades acopladas a uma pirâmide.

Com uma ideia de negócio que quer implementar no mercado apropriado procura seu cliente potencial; obtém o pedido, prepara o produto, faz a entrega, cobra o preço, está na base da pirâmide, sozinho, com sócio ou outro companheiro de trabalho.

À medida que cresce vai contratando auxiliares: contador, vendedor, etc. e vai galgando os patamares superiores da pirâmide; chega até a convocar profissionais de alto nível.

De repente, em determinada ocasião, ao atingir um estágio mais elevado da vida profissional, olha para “baixo” e sente

a vertigem da sua responsabilidade.

Ao mesmo tempo, aumentam as cobranças para tomada de providências:

- vinda de seus familiares,

- de seus clientes,

- de seus empregados

- e até mesmo de seus sócios.

Afinal, ele é um líder e parece que todos se esquecem que ali está um ser humano, necessitando - por que não? - de um afago, de um carinho, de um elogio, ou mesmo de incentivo - nem que seja como demonstração de que ele é uma pessoa.

Como líder, deve ser um forte, sem direito de fraquejar. E, lá do alto da sua pirâmide, cercado de exigências, vai ele se movimentando até que comecem a surgir dúvidas ou interesses outros, que ele vai dividir com seu espelho, mudo e perverso, que só reflete as rugas do seu rosto.

Além disso, como explicou uma empresária, em coluna do SEBRAE, publicada por um jornal de São Paulo:

"quando você se abre, acaba abrindo-se também

para pessoas que o agridem. Então a gente acaba

optando por um relacionamento mais seco”.

SOLIDÃO

...pode ser o estopim da derrota...

Criada está a figura do "EMPRESÁRIO SOLITÁRIO": aquele que acha que não tem com quem falar, dialogar, com quem possa debater suas ansiedades, mas sem maior envolvimento com a empresa; aquele que pensa que não pode se abrir, sem ser ridicularizado e sem se expor publicamente.

Somos obrigados a lembrar que a solidão pode vir a ser o estopim da derrota.

O JOVEM EMPREENDEDOR terá, certa e justificadamente, dificuldade em reconhecer a ocorrência da síndrome:

No início de sua vida empresarial não tem tempo nem oportunidade sequer de abordar o assunto. Parece coisa de "velho":

- sua força está toda ela direcionada para o arranque do negócio;

- a perturbação somente surgirá quando estiver evidente o crescimento e o

progresso na atividade profissional;

- também nesse momento é que aumentarão as cobranças já antes

aludidas.

Fato curioso é que a síndrome ataca não apenas pequenos empresários que, ao menos em tese, seriam menos exigidos. Na realidade, grandes proprietários e altos executivos, mesmo de multinacionais, são alcançados, com certa virulência, pela síndrome.

Explicou-nos um diretor de empresa estrangeira que isso ocorre em razão do interesse que os outros têm nesse tipo de cargo, até mesmo em razão de progresso na organização. Sem esquecer, ainda, que, diferente do que muitos pensam, são funções com reduzida estabilidade. Basta troca diretiva no exterior para causar alterações nas filiais, como um derrubar de pedras sequenciais de dominó.

Daí a possível insegurança desse executivo.

INDECISÃO

...e o espelho nunca responderá...

Quem ajudará o paciente a afastar esses fantasmas? Ninguém, e eles simplesmente vão aumentando.

Questões como posição no mercado, situação financeira, futuro da família, exigências societárias e tantas outras acabam ficando, quase sempre, no aconchego de sua privacidade, já que, se trouxer a público esses dilemas - acha ele - poderá perder a liderança tão arduamente conquistada.

E se seus familiares souberem de sua presumida fragilidade? E seus sócios? E a concorrência, então? E se o julgarem um “coitado”.

Os “se”, não param. Será o caos! E o espelho nunca responderá.

Façam pesquisa e comprovarão que o empresário não acha aconselhável levar à esposa um problema que entende ser profissional. Ainda que receba conforto moral, não compensará o ônus a ela acarretado, além da falta de uma resposta empresarial. De outro lado, o sócio não será, também, a melhor audiência; muitos já ouviram - ou pressentiram - algum retorno semelhante:

"Chi, vai sobrar é pra mim ! ".

Continuando a análise, cabe citar a dificuldade do empresário em aceitar ressalvas ao seu trabalho, às suas ideias, quando foi ele - segundo ele mesmo - quem fez crescer a empresa, contra tudo e contra todos.

Como terceiros, por mais ligados que estejam ao negócio, ousam modificar o pensamento daquele criador?

Ele é o certinho, não aceita debate, talvez pelo receio de ser vencido, ou não ter, no momento, argumentos sustentáveis logicamente. Então, prefere se calar, até por entender que dessa forma agredirá menos o que lhe parece ser seu oponente.

Na falta de um imediato raciocínio lógico, ele foge, escondendo-se no mutismo; tranca-se numa redoma de vidro: vê o que ocorre fora, mas nada ouve, nem será, com certeza, ouvido.

Essa fuga do mundo real vai, então, isolando-o, atormentando-o.

TRATAMENTO

...o remédio será fácil de ser encontrado...

A Síndrome do Empresário, como qualquer doença, após diagnóstico, deve ser tratada para se alcançar a cura e o restabelecimento da saúde.

Ora, o empresário não deve permanecer numa atitude errônea, já que não é do seu feitio; precisa sair desse incômodo. Graças à própria capacidade, demonstrada pela vitória obtida no seu negócio, cremos que o remédio será fácil de ser encontrado.

Sendo a anormalidade localizada no seu início, a própria pessoa, através de autoanálise, poderá afastá-la com certa simplicidade. Já na hipótese de isso não ocorrer, sempre haverá alguém -- de preferência um profissional -- que terá condições de dar a devida ajuda, detalhando o caminho a ser perseguido para encontro da solução almejada.

Parece, à primeira vista, absurda essa indicação para que o empresário se abra, acabe com sua privacidade e comente com um terceiro aquilo que vai pela mente. Entretanto, uma atitude desse tipo o ajudará encontrar melhores condições para resolver aquelas dúvidas ou ressalvas criadas no seu próprio íntimo.

Com essa solução, outras vitórias a ele serão atribuídas, com toda a certeza, o que por si só demonstrará a validade da solução sugerida.

O principal é que o empresário precisa se conscientizar de que não é único a padecer de tal situação. Muitos de seus parceiros na área de negócios passam ou já passaram frente a tal anormalidade, o que demonstra que é uma característica própria de um líder, daí a denominação de SÍNDROME, diante dos "sintomas específicos que se apresentam regularmente".

Um diálogo conduzido com simplicidade, nunca deixando de lado o ângulo empresarial, trará benesses surpreendentes. Será proveitoso que o interlocutor tenha condições técnicas de atendê-lo com paciência, eficiência e precisão. Preferencialmente não deverá ter ligações afetivas ou mais chegadas à empresa, para maior liberdade opinativa, dando orientação segura, livre de paixões. Caberá ao consultor, também, usar das características do ombudsman, não se deixando envolver pelos conceitos predeterminados - e algumas vezes preconceituosos - do empresário.

Ocorre frequentemente que, contaminado por sua usual liderança, tenta o consulente conduzir seu consultor para o caminho que mais lhe interessa, embora não seja o mais adequado. Seguidos esses requisitos mínimos, estará, certamente, resolvida - ou ao menos encaminhada - a questão, com ampla vantagem para o empresário.

BUSINESS COACHING

...estimular potencialidades...

Não estamos sós na análise dessa situação peculiar desses condutores de negócio. Após ampla pesquisa, localizamos nos Estados Unidos trabalhos específicos nesse setor, desenvolvidos por diversos consultores de empresa.

E, a partir de 1990, se consolidou, então, uma forma de atendimento individual, sob a denominação de business coaching.

O termo coaching foi emprestado da técnica de preparo de atletas, particularmente quando estes necessitam de um treinamento individualizado. E, com isto, atingem metas, goals, antes inimagináveis.

Em relação ao empresário, a finalidade é a mesma: através do coaching, do treino, do debate pessoal, estimular suas potencialidades e, com isso, levá-lo ao sucesso total.

Como um dos patronos da introdução pública em nosso país (por volta de 1965) do business coaching, nos atribuímos a faculdade de verter para a língua portuguesa tal terminologia.

E o fizemos, nomeando-o, menos como tradução literal e mais para facilidade de entendimento, sob o nome de

Consultoria Pessoal ao Empresário.

O mercado talvez opte pelo uso da expressão estrangeira, como ocorre com as palavras/conceitos: marketing, franchising, leasing, etc.

Seus substitutos, mercadologia, franquia, arrendamento mercantil surgem como sinônimos, nem sempre como vocábulos principais.

Seja, todavia, no palavreado inglês ou na expressão brasileira, o que valerá é a implantação da sistemática em benefício do empresariado local.

Através desse método de instrução será possível adentrar naquilo que chamamos de “pequeno mundinho”, onde empreendedores e empresários se mantêm pelo seu isolamento e, dessa forma, remover a causa da síndrome.

Como já explicamos, são executivos eficientes que, algumas vezes, não se entendem com a alta direção de suas empresas. Ou empreendedores ativos, mas envolvidos em certas dúvidas, inclusive e especialmente com seus associados ou seus familiares.

REFLEXÃO FINAL

...é possível atingir objetivos próprios...

Utilizando conceitos do Business Coaching, ou traduzindo para mais fácil compreensão, da Consultoria Pessoal ao Empresário, é possível atingir objetivos próprios junto ao empresário, seja ele empreendedor ou executivo, visando, resumidamente:

- potencializar a liderança;

- ajudar nos questionamentos particulares;

- mostrar caminhos a seguir;

- auxiliar nas dúvidas negociais.

Lançamos, assim, um primeiro estudo sobre o que chamamos de

A Síndrome do Empresário:

A SOLIDÃO, COM SEU DIAGNÓSTICO E RECEITUÁRIO CURATIVO.

(*) Nívio Terra – Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais

Obs.: este estudo foi, originalmente

elaborado em dez/1995.

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